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Quebrando amarras

Redação Vya Estelar 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Saia do previsível e não tenha medo do ridículo

por Angelina Garcia

Mara nem era daquelas que vivem se queixando da vida; procurava envolver o menos possível a família ou os amigos em suas questões pessoais, um pouco porque acreditava que quanto mais proclamasse seus problemas mais contribuiria para que tomassem forma e se fortalecessem, ampliando-se de tal maneira que, ao invés de resolvê-los, acabava engolida por eles. Além disso, pensava no quanto poderia incomodar o outro com aquilo que no final ela mesma haveria de decidir. Assim, quando dividia com alguém alguma coisa que a perturbava, normalmente já chegava com a solução, ou, no máximo, escolhia questões cuja discussão pudesse acrescentar algo ao seu interlocutor.

Daquela vez foi diferente. Sentiu-se frágil para enfrentar sozinha uma situação e se abriu, sem reserva, a uma pessoa próxima. Antes que terminasse de falar, ouviu a resposta pronta:

- Imagine, você é forte e vai tirar isso de letra.

É compreensível que ao perceber Mara em um estado nada costumeiro, a pessoa quisesse retorná-la ao lugar de forte; talvez porque a tomasse como modelo e quebrá-lo seria admitir a própria fragilidade. Mas, naquele momento, Mara não queria ser forte. Não esse "forte" exigido por todos o tempo todo.

A ideia de responder às expectativas que nos circundam se estende a qualquer lugar que, por diversas circunstâncias, fomos determinando e deixando que fosse determinado para nós. O lugar pode ser fixo, nós não. É possível nos movermos no seu interior, ou mesmo percorrer um caminho até o outro extremo, sem nos curvarmos ao pensamento de que somos inconstantes ou sem personalidade.

O encontro com nossa fragilidade, por exemplo, pode nos permitir uma abertura a sensações e sentimentos aos quais teríamos mais dificuldade para chegar quando preocupados em nos manter fortes.

Força vem muitas vezes associada à rigidez da pedra. Se, por um lado, a metáfora nos leva a pensar em alguém que agüenta qualquer tranco da vida; por outro, remete-nos à imobilidade, ao fechar-se, ao bastar-se. Sabemos que algumas pedras só mostram a beleza quando partidas ao meio. E a beleza em ser humano está na gama de possibilidades do que podemos ser. Furtar-se a experimentar essas possibilidades é abafar nossas contradições que, afinal, nos tornam mais humano. Quantas vezes temos vontade de sair do mesmo, de criar outras maneiras de lidar com a vida, mas por medo do ridículo, permanecemos no previsível.

É importante nos colocarmos atentos a que nos compromete determinados lugares. Se como elogios que desejam ser nos impulsionam, ou se nos amarram.

"Neguei o pé à ferradura
Livrei o lombo do arreio
Da cara caiu o freio

Soltei as rédeas
Segui o vento
Galopei"




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