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Boa saúde depende de pensamentos e sentimentos

Emilce Shrividya Starling 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
É importante identificar por que sentimos a raiva

por Emilce Shrividya Starling

A saúde não está apenas relacionada ao corpo. Depende muito dos nossos pensamentos e sentimentos. Muitas doenças se desenvolvem devido às emoções negativas e para ter saúde é importante compreender que somos um espírito morando em um corpo.

O Dr. Pema Dorjee, especialista de medicina tibetana, esteve no Brasil e vale a pena conhecer sua visão espiritual sobre o desenvolvimento de doenças e a recuperação da saúde.

De acordo com a medicina tibetana, a ignorância, que caracteriza todos os seres humanos, gera um modo distorcido de compreender a realidade. Não entendemos quem somos ou o que é a vida. Vivemos de ilusões e para sair dessa falsa visão do mundo, precisamos compreender a causa da dor e o que nos prende ao sofrimento. Os pensamentos e emoções errôneas podem nos fazer sofrer tanto que podem nos conduzir a estados de desequilíbrio mental, energético e físico.

Esse estado de ignorância, de não compreensão, gera os venenos da mente e dá origem a três sofrimentos, que podem causar os desequilíbrios físicos, mentais e energéticos.

Venenos da mente

O primeiro veneno ou sofrimento é o apego. Nasce do desejo. Nasce de nosso olhar, pois muitas vezes vemos algo e imediatamente o desejamos. Às vezes, se ansiarmos muito por algo, fazemos de tudo para obter aquilo e isto causa muito estresse. Quando não conseguimos o que queremos, ficamos frustrados, insatisfeitos, deprimidos e isto causa muitas doenças. Desse modo, esse conjunto de sintomas vem do excesso de apego.

O segundo veneno, ou condição de sofrimento, é a raiva. Ela está latente dentro de nós, e se manifesta: quando não realizamos nossos desejos,
quando perdemos algo, quando somos insultados, sentimos que nosso território é invadido ou somos controlados. Sentir raiva é humano, mas o problema não é sentir raiva de vez em quando, mas reagir com raiva e violência, explodir com agressividade ou pior ainda, engolir a raiva.

É importante identificar por que sentimos a raiva, de onde ela surge. Compreender que ninguém causa a raiva em nós, e sim que ela está camuflada dentro de nós. Para isto é importante uma autoanálise sincera e a boa vontade de se libertar dessa emoção tão negativa.

O terceiro veneno é a estreiteza mental. É a pessoa sem horizontes amplos, com uma mente tacanha. Assim como os outros dois venenos, muitas doenças também surgem dessa característica.

Para a medicina tibetana, existem três tipos básicos de ser humano. Para se compreender melhor suas características, esses tipos são associados a animais e a elementos da natureza.

Quem somos

O primeiro tipo é agitado, instável, fala bastante, tem o pensamento rápido, é ansioso. Não consegue ficar quieto como as aves e os macacos. Está associado ao elemento ar e aos ventos - correntes de energia interna que passam pelo corpo sutil - e aos pulmões. Esse tipo humano é muito sensível ao apego e às doenças ocasionadas por ele, como doenças mentais ou do sistema nervoso. Mas, isso não significa que não possa ter outras doenças ou ser afetado por outras emoções.

O segundo tipo está relacionado à raiva e ao elemento fogo. É agressivo, irritável, e está associado aos tigres e leões. Está ligado à bílis, ao fígado, à vesícula, ao coração, e são sensíveis às infecções.

O terceiro tipo é mais sereno, reage com lentidão, pensa devagar e têm dificuldade de ver com clareza as situações. Tem a mente presa a detalhes, não tem metas nem ideais. Está associado aos elefantes e búfalos. Está ligado ao elemento terra, ao estômago e à fleuma. São mais sensíveis às infecções e aos tumores, que para a medicina tibetana são solidificações de toxinas.

Como na medicina ayurvédica, uma pessoa pode apresentar um elemento predominante ou ser uma composição de dois tipos.

Vamos agora saber quais são os antídotos para contrabalançar nossas tendências naturais e neutralizar esses venenos. Para equilibrá-los, é preciso adequar a alimentação aos tipos.

Antídotos

Para o primeiro tipo, os apegados, a melhor maneira de enfrentar é aprender a se desgrudar das situações. É entender a impermanência e transitoriedade da vida. Compreender que a vida é uma dança eterna e que muda a todo instante. Não se pode segurar a vida nas mãos ou querer fixá-la segundo a nossa vontade e prazer.

Às vezes, uma pessoa deseja muito alguma coisa ou alguém, mas a vida, ou seu karma, pode não lhe permitir alcançar. Para transformar os desejos obsessivos, a medicina tibetana, fala para se tornar mais maleável e reconhecer as energias em jogo, ponderar as coisas com uma razão mais clara e aceitação.

Para equilibrar esse tipo mais relacionado ao elemento ar, é bom evitar frituras, desenvolver atividades que acalmam e estimulam a concentração.

Para o segundo tipo, é preciso ser menos possessivo e diminuir essa noção de posse: eu, meu, minha. É preciso suavizar essa posse e raiva interna. Abrandar a força do ego negativo, que causa esse temperamento agressivo. Compreender essa ilusão da posse, pois não possuímos nada, nem ninguém, nem mesmo nosso corpo ou bens.

Para equilibrar esse tipo, é bom evitar elementos muito condimentados e exercícios muito intensos que aumentam o elemento fogo.

Para o terceiro tipo, para a mente estreita, é indicado ampliar os horizontes com conhecimentos e sabedoria. Abrir-se para o novo e aprender ensinamentos sobre o dharma, ou seja, o dever.

Para equilibrar quem manifesta essas características, é bom evitar os doces, embora gostem muito deles. Esportes e exercícios podem equilibrar a tendência de serem sedentários ou obesos.

Nessa medicina espiritual, a pessoa não é saudável apenas para si mesma. Ela deve praticar o bem, o dharma cotidiano, o correto pensamento, a correta palavra, a correta ação, beneficiando outros seres humanos.

Todos os seres humanos têm os três temperamentos (denominados ventos – ou correntes de energia - bílis e fleuma), embora um ou outro temperamento se manifeste mais intensamente. Descubra qual seu tipo ou tipos e aplique os antídotos para alcançar mais saúde física, mental e emocional. Fique em paz! Namaste! Deus em mim saúda Deus em você!




Emilce Shrividya Starling

É formada em Yoga pela Federação de Yoga do Brasil e Centro de Estudos de Yoga Narayana/S.P, com aperfeiçoamento em Hatha Yoga e Meditação nos Estados Unidos. É professora de Hatha Yoga em Santos (SP), desde 1989. Atualmente ensina Filosofia do Yoga e Meditação.



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