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Os fatos descritos numa entrevista demissional costumam ser apurados?

Roberto Santos 01/01/2016 COMPORTAMENTO
O objetivo é investigar as causas do desligamento

por Roberto A. Santos

"Nas entrevistas de emprego tenho tido um pouco de dificuldade em relatar os motivos da minha demissão, que foi claramente por motivo de perseguição pessoal do superior hierárquico. Apesar de possuir um currículo excelente, não consigo outro emprego há um ano e meio, pois as entrevistas de emprego sempre geram ligações ao último gerente. Os fatos descritos numa entrevista demissional costumam ser apurados?

Resposta: Começando pelo mais simples: o objetivo da realização de entrevistas de saída ou demissionais. As empresas sérias que utilizam esta ferramenta, o fazem para investigar as causas dos desligamentos ou rotatividade de pessoal. Servem ainda como um termômetro, ainda que tardio, de aspectos de cima de ordem organizacional ou de políticas de Recursos Humanos que estejam levando a empresa ao desligamento voluntário ou involuntário de seus colaboradores.

O quanto os resultados desses levantamentos são apurados vai depender de quão séria é a área de R.H. e a empresa, além de quanto a gerência criticada (como em seu caso) tem uma "blindagem política" que a protege de críticas eventuais. Não sei qual é o caso da empresa que deixou ou das pessoas que lidam com a versão dos fatos apurados na entrevista.

O outro ponto mais crítico para o problema que você está vivendo, é o quanto as informações que você deu naquele instrumento ou aquelas repassadas por sua ex-gerência aos empregadores potenciais das entrevistas admissionais "contaminam" sua avaliação para futuras oportunidades.

Realmente, um ano e meio sem conseguir se recolocar com um "currículo excelente" é algo preocupante. O dilema é sempre o grau de sinceridade a ser empregue na descrição dos motivos de seu último desligamento.

Poucas empresas contratantes apreciam admitir alguém que teve um problema como o relatado por você. Ou seja, se puderem evitar, se não houver um forte motivo de identificação com seu problema ou de contar com habilidades difíceis de serem encontradas no mercado, que valham correr o risco de que você "crie caso" na nova empresa, mesmo que você seja totalmente inocente no caso que relatou (e eu acredito!). Então, a recomendação seria focar o processo de entrevistas de emprego nas competências que você tem e minimizar o motivo de saída, assumindo um pouco da "culpa".

Talvez, sua indignação com o descontrole emocional e a falta de ética de suas ex-gerência deixe-a tão revoltada que acaba colocando uma carga emocional muito forte neste tema. Procure resolver emocionalmente essa indignação que (justamente) a magoou e a está prejudicando para dedicar uma abordagem mais positiva aos processos de seleção que tem participado. Talvez, outra aprendizagem, é quando se deparar com pessoas desajustadas emocionalmente no futuro, procure manter a distância, tratando de assuntos pessoais delas, caso não consiga evitá-los totalmente, fora do ambiente de trabalho, demarcando esta fronteira muito claramente.




Roberto Santos

Profissional de Recursos Humanos, com mais de 40 anos de atuação no mercado, Roberto teve diversas posições como profissional e executivo de RH em multinacionais de grande porte. É sócio-diretor da Ateliê RH, consultoria com mais de 14 anos de atuação no mercado, e distribuidor Hogan no Brasil. Mais informações: www.atelie-rh.com.br



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