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Como lidar com o efeito flashback da droga crystal?

Danilo Baltieri 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Não existe tratamento para flashbacks

por Danilo Baltieri

"Usei por algum tempo uma droga chamada crystal, onde se perde a fome e o sono ficando até dias sem dormir. Há mais ou menos oito anos parei completamente. Só que desde o começo, bastava beber uma cerveja e parecia voltar o efeito da droga. Isso foi diminuindo com o tempo, mas quanto à cafeina, não posso tomar nem um pouco, fico irritado, sinto mal-estar. Quanto tempo leva para o sangue limpar totalmente?"

Resposta: “Crystal” é um dos nomes populares para a substância conhecida como metanfetamina. Outros nomes usados nas ruas são: “ice”, “speed”, “glass”, “chalk”. Trata-se de substância tóxica e com efeitos mais duradouros do que a própria anfetamina.

Em 2006, mais 1.9 milhões de americanos acima de 12 anos tinham feito uso abusivo dessa droga. Efeitos resultantes do uso crônico dessa substância podem ocorrer, tais como:

a) comportamentos inadequados e violentos;

b) síndrome de dependência;

c) ansiedade;

d) insônia;

e) alterações persistentes da percepção (psicoses, flashbacks”);

f) problemas cárdio-vasculares.

Efeitos nocivos

Efeitos adversos dessa droga sobre o Sistema Nervoso Central são claros. A droga pode causar lesões neuronais, em regiões produtoras de serotonina e dopamina. Embora recentes estudos em neuroimagem entre pessoas que fizeram uso cronicamente de metanfetamina demonstrem recuperação funcional parcial em algumas regiões cerebrais após meses de abstinência, algumas outras regiões cerebrais podem continuar a apresentar sérios problemas.

O que é o efeito flashback?

Flashback ou Distúrbio Persistente da Percepção é mais comumente registrado entre usuários de LSD, ketamina e outras substâncias dissociativas. Trata-se de episódios espontâneos, repetitivos ou recorrentes, caracterizados por alguma forma de distorção perceptiva originalmente causada pelo consumo recente da substância, mas que acabam acontecendo semanas ou meses após o último uso da droga.

Esses episódios podem incluir alucinações, mas mais comumente consistem em alterações visuais, tais como “ver” falsos movimentos de objetos, observar “flashs” luminosos e brilhantes, ou vislumbrar cores e movimentos. Esses episódios costumam ser persistentes e duradouros e, em alguns casos, podem persistir por anos após a interrupção do consumo da substância.

Como esses sintomas podem também ocorrer em outras doenças médicas, muitas vezes o diagnóstico é retardado. Dessa forma, o médico deve conhecer todo o histórico do seu paciente e o paciente não deve esconder nenhum detalhe do seu médico.

Infelizmente, não há qualquer tratamento estabelecido para os “flashbacks”. Todavia, algumas medicações, principalmente os antidepressivos, podem reduzir os sintomas. Psicoterapia pode ajudar o paciente a separar essas experiências involuntárias e espontâneas das vivências reais, bem como auxiliar a reduzir o medo e a ansiedade gerados por tais experiências.

De qualquer forma, você deve procurar um médico especialista, revelar o seu histórico adequadamente, e verificar com exatidão qual é o seu problema. É importante notar que os episódios de “flashback”, então originalmente gerados pelo abuso de substâncias dissociativas, podem também ser disparados pelo consumo de outras substâncias, como maconha e álcool.

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.

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