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Estresse: sensação de falta de ar pode ser sintoma de doença psicossomática?

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Transtornos psicossomáticos têm seu papel central exercido pelas emoções

por Joel Rennó Jr.

Resposta: A saúde geral está diretamente relacionada à maneira de viver do indivíduo, havendo integração constante entre corpo, mente e emoção.

O estudo das relações mente e corpo é um dos temas que vem assumindo progressiva importância no contexto da medicina no século atual, permitindo uma nova visão fenômeno da doença.

Os transtornos psicossomáticos têm seu papel central exercido pelas emoções, tendo em vista a origem do termo “psicossomático”, o qual remete as palavras gregas psyche (mente) e soma (corpo).

O paciente somatizador é uma pessoa com sintomas físicos de uma doença que não possui justificativa orgânica. Ou seja, nos resultados de exame, na investigação física e na classificação diagnóstica, mostra que seus sintomas se relacionam a fatores emocionais que os desencadeiam.

Esse transtorno caracteriza-se por recorrentes queixas de sintomas físicos sem uma base médica constatável. Entre essas queixas, algumas são frequentes tais como: falta de ar, tédio, dores nas costas entre outros, sendo que a intensidade e freqência varia de pessoa para pessoa.

Alguns pacientes possuem queixas somáticas inespecíficas ou difusas que dificultam uma classificação diagnóstica. Falta uma base orgânica que justifique seus sintomas, porém apresenta um comprometimento funcional que devem ser pesquisados associados a fatores psicológicos.

Geralmente, esses pacientes apresentam fatores emocionais relevantes no surgimento e manutenção da doença. Os quadros sindrômicos mais frequentes associados à somatização: Transtornos de humor e Ansiedade.

Existem alguns critérios que relacionados por um médico, enquadram pacientes com essas sintomatologias de origem emocional, tais como:

- Buscar repetidas consultas sem uma justificativa orgânica;

- Atribuir os sintomas a uma enfermidade orgânica e não a um transtorno psiquiátrico.

Critério diagnóstico DSM IV (Manual Diagnóstico dos Transtornos Mentais da Associação de Psiquiatria Americana)

A somatização implica em dobrar os cuidados no diagnóstico, numa visão amplificada da pessoa que está sofrendo.

Pacientes somatizadores representam estatisticamente um percentual elevado na busca do atendimento na *atenção primária e secundária na área da saúde, envolvendo grande despesa financeira, tempo e consumo de medicamentos que, na maioria das vezes, poderia ser evitado se fosse dado maior foco nessas pessoas.

*Atenção primária à saúde é o primeiro nível de contato do paciente com a assistência médica. Geralmente, os Programas de Saúde da Família, os Programas de Prevenção (grandes campanhas de vacinação, de prevenção de câncer de mama, de câncer de colo de útero, de câncer de próstata, etc) que visam à prevenção de doenças enquadram-se na assistência primária à saúde.

Já na assistência secundária à saúde encontram-se as terapêuticas das doenças detectadas, incluindo os tratamentos ambulatoriais, as internações e cirurgias. É o tratamento em si das doenças que são detectadas no rastreamento do nível primário.

Estima-se que na assistência primária e secundária, cerca de pelo menos 60% dos pacientes são somatizadores, portadores de transtornos de humor e ansiedade (geralmente 40% têm transtornos de humor e 20% têm transtornos de ansiedade), que têm sintomatologia física sem constatação de organicidade. Em algumas situações, esse percentual pode até ser maior.

Geralmente, as mulheres somatizam mais que os homens e os sintomas costumam ser mais graves. As causas dessas diferenças ainda são pesquisadas, podem ter a ver com questões hormonais mas também psicossociais.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento.

Joel Rennó Jr.

Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta. Doutor em Medicina (Psiquiatria) pela Faculdade de Medicina da USP. Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein-SP (HIAE).

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