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Dar dinheiro de presente: certo ou errado?

Redação Vya Estelar 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Dar dinheiro porque não teve tempo de comprar o presente para o filho é um erro

Em uma recente entrevista que dei a um jornal de grande circulação, o jornalista me fez a seguinte pergunta.

“Você concorda que não podemos nunca dar dinheiro como presente, seja para um filho, parente ou como caridade?”

Não consegui saber com quem é que eu deveria concordar. Ou discordar, já que ele havia entrevistado outros financistas antes de mim, durante a feira Expo Money ocorrida neste segundo semestre em São Paulo.

A minha resposta foi “Nunca é um exagero, com certeza”. Muitos povos costumam presentear com dinheiro em nascimentos, casamentos, festas de Natal. Até mesmo como tradição, especialmente entre as nações mais ricas do mundo. Você já deve ter visto filmes americanos onde esse hábito é bem mostrado. Eu me lembro do filme Na sua pele - In her Shoes -, quando a Cameron Dias acha as antigas cartas da avó, com várias notinhas de 5 dólares dentro.

Dinheiro que depois ela usa para ir a Miami, visitar a avó. É muito comum naquele país esse tipo de afago: dinheiro em envelopes nos aniversários, nos casamentos e até mesmo para o carteiro, junto com um cartão postal no Natal. Eu já dei dinheiro a meus filhos, inclusive como forma de ajudá-los a administrar seu dinheiro. É bom quando há um objetivo por trás: a viagem, o curso, a aparelhagem de mergulho. A cada real que eles economizavam, eu dobrava, tal qual fazem os fundos de pensão de algumas empresas. Um rebate de valor semelhante, para ajudar o dinheiro a crescer mais rápido e eles se entusiasmarem. Assim, não há nada de errado em dar dinheiro, desde que a doação não signifique simplesmente uma compensação pela falta de tempo, energia ou amor - isso mesmo amor!

As consequências emocionais para um filho que recebe dinheiro para comprar o próprio presente porque o pai “esqueceu”, “não deu tempo” ou qualquer coisa assim, são imponderáveis. A conta vem no futuro.

Quanto a esmolas, creio que deveríamos pensar que se não temos como discernir se o dinheiro é de fato necessário, não deveríamos simplesmente meter a mão no bolso e dar, sem desprendimento. A mídia está toda hora nos alertando sobre mendigos profissionais, alguns que abusam seriamente de crianças pequenas, além de abusarem da nossa boa fé.

Em Uberlândia há essa campanha do “Quem dá esmola não dá futuro”. Parabéns ao prefeito.

Lembre-se de que “quem dá esmola não empresta a Deus necessariamente”, pode estar alimentando uma perversa indústria de abuso e aí, ao invés e emprestar a Deus está, na verdade, cometendo um sério pecado.

Nesse caso, é melhor apoiar uma instituição que se reconheça como séria. A esmola é mais um imposto. Ora, já pagamos mais impostos do que estamos agüentando. Seria muito mais sensato cobrarmos uma atitude de quem levou o imposto e não o reverte adequadamente para o bem da comunidade em que vivemos.

Como não dá para dizer ao pedinte “Já paguei tanto imposto esse ano, será que você não poderia pedir aos governos que revertam isso para você”, então a solução talvez seja nós próprios, pagadores de impostos, cobrarmos ações mais claras dos governos, acompanhar os gastos feitos (ou não) com nosso dinheiro e votar melhor. Ainda que a mídia e alguns prefeitos sérios têm feito esse papel, temos que também fazer a nossa parte.

Aliás, seria muito, mas muito interessante se, no próximo outdoor do prefeito de Uberlândia pudéssemos ler seguinte frase: “Senhores pedintes venham cobrar isso de mim, peçam para mim e não para a população. Eles já fizeram a parte deles. Agora é comigo”.

Fonte: Eliana Bussinger é psicóloga e financista




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