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Dinheiro onipresente

Redação Vya Estelar 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Presença do dinheiro: de pequenas decisões até às emoções mais singulares

por Valéria Meirelles

Dinheiro. Um assunto interessantíssimo, todavia ambivalente. Por isso, minha intenção aqui é ‘preparar o terreno’ para os próximos temas, e gostaria de convidar você a refletir sobre o dinheiro em sua vida. Afinal, todos nós sabemos e vivenciamos sua importância.

Dinheiro é parte indissociável do dia a dia e está cada vez mais presente em função do desenvolvimento tecnológico, dos avanços da comunicação e claro, da economia mundial.

De acordo com os psicólogos ingleses Lea, Tarpy e Webley, 1987, “Nós passamos boa parte de nossas vidas engajados em comportamentos econômicos. Nós trabalhamos, compramos, economizamos, damos, jogamos e assim por diante”, envoltos num mundo econômico que determina nossas ações e que também é determinado por elas.”

Portanto, seja no cotidiano, nas pequenas compras que fazemos para a casa, nos serviços que temos ou não condições de pagar para usufruirmos de conforto e qualidade de vida, no imóvel que alugamos ou compramos para morar, o dinheiro faz parte do cotidiano – independente da classe social – e determina as condições materiais, psicológicas, sociais, afetivas, familiares, educacionais e de saúde das pessoas.

A Professora Dra. Vera Rita de Mello Ferreira, referência em Psicologia Econômica no Brasil, oferece várias definições de dinheiro:

“Estoque de valor, unidade de contabilidade, padrão de pagamento adiantado e possui múltiplas dimensões simbólicas, entre elas: extensão de nosso self, poder, talento, habilidade, beleza, saúde, inteligência e oferece aquela possibilidade da pessoa sentir-se sempre especial.(...) Dinheiro possui vários usos, entre eles: gastar, guardar, investir, dar, emprestar, doar, legar e mais ainda, afeta nas pessoas diretamente, a identidade, autoestima, sentimentos de controle e dependência, segurança, sentir-se em dívida e mais nos homens, a potência sexual.”

“Nas sociedades capitalistas, o dinheiro está associado à segurança, sucesso, liberdade, independência, esperteza, benção de Deus, status, merecimento, bem- estar, comparação social.”

Segundo o antropólogo John Weatherford: “Desde o surgimento da história do mundo, o dinheiro criou novas instituições e modos de vida, ao mesmo tempo que corroeu e substituiu os sistemas anteriores. Cada mudança tecnológica e social na forma de dinheiro expandiu ainda mais o seu papel em nossas vidas. Ao longo dos séculos, o dinheiro tornou-se a variável determinante não meramente das relações comerciais, mas cada vez mais de todos os tipos de relações religiosas e políticas, sexuais e familiares”.

Além de todas as definições e funções acima, dinheiro é um símbolo e como tal, cada pessoa dá a ele um significado, comumente entrelaçado a necessidades e valores.

Sendo assim, ele também pode ser um substituto, como frequentemente observo aqui no consultório, quando várias vezes o dinheiro entrou no lugar de alguma pessoa ou situação representativa, seja pela falta de cuidado, pela perda, pela ausência temporária, pela presença ou até pelo prêmio de uma conquista, entre outras situações.

O problema é que um substituto quase nunca satisfaz a real necessidade e isso gera problemas. Na maioria das vezes, surgirão desequilíbrios financeiros que repercutirão nas relações familiares, conjugais, afetivas, profissionais, sociais e claro, na saúde emocional das pessoas.

Assim, ao atuar em todos os tipos de relações e para vários fins, observamos a ambivalência, as múltiplas formas e significados do dinheiro que dependerão cada vez mais de quem o usará.

As pessoas atuam tanto no ‘automático emocional’ que nem se dão conta dos erros e das irracionalidades que cometem quando lidam com o dinheiro!

Quero estimular você a sair dessa situação e refletir.

Pergunte a si mesmo:

1) O quê e quem significa dinheiro em minha vida?

2) Quais as minhas atitudes em relação a ele?

3) Quais os modelos que recebi de meus pais e minha família a respeito de dinheiro? Eles me ajudam ou precisam ser revistos/atualizados?

4) De que forma o meu comportamento econômico alavanca ou dificulta a realização de meus objetivos?

Antes que responda, uma sugestão: não fique apenas com as primeiras respostas que vierem à cabeça, permita-se olhar mais fundo em sua história e resgate alguma memória sobre dinheiro. Pode ser revelador!

Pelas suas respostas, poderá entender melhor alguns “porquês” e “para quês” de seu estilo financeiro e patologias financeiras.

Bibliografia:

FERREIRA, V.R.M (2008) Psicologia Econômica: Estudo do comportamento econômico e da tomada de decisão. Rio de Janeiro: Elsevier.
FURNHAM, A; ARGYLE, M (2007) The Psychology of Money. 3rd Reprinted. New York: Routledge.
LEA, S.E.G; TARPY, R.M; WEBLEY, P (1987) The individual in the Economy. London: Cambridge University Press.
MOREIRA, A (2000) Valores e dinheiros: um estudo transcultural das relações entre prioridades de valores e significado do dinheiro para indivíduos. Tese de Doutorado, Universidade de Brasília.
OSÓRIO, LC; VALLE, M.E.P (org) (2009) Manual de Terapia Familiar. Porto Alegre: Artmed
SIMMEL, G (2007) The Philosophy of Money. London and New York: Routledge
WEATHERFORD, J (2005) A História do Dinheiro. Rio de Janeiro: Elsevier.

Você também poderá ler a versão desta coluna em inglês - clique aqui




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