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Relação também é enriquecida pelas diferenças

Antonio Carlos Amador 01/01/2016 PSICOLOGIA
Ausência de harmonia nas relações com os outros pode ser sinal de angústia

por Antônio Carlos Amador

As relações interpessoais, com os familiares, com os amigos, ou colegas de trabalho apresentam situações que muitas vezes são difíceis.


Nossa relação com os outros nunca é uma coisa simples, exigindo que nos conheçamos e que estejamos bem com nós mesmos. Além disso, é preciso que ousemos nos comunicar com os outros e que os descubramos em toda a sua liberdade.

Nesse sentido, é essencial que sejamos honestos conosco e com os outros. É nas relações humanas fundadas na sinceridade e na honestidade que podemos chegar a ser efetivamente livres.

Uma relação também é enriquecida pelas diferenças. Seria monótono se só encontrássemos pessoas que pensassem exatamente como nós. As diferenças nos ajudam a refletir e a evoluir. Devemos continuar sendo nós mesmos, mas sem julgar os outros. Com sinceridade, dizer o que pensamos, mas permanecendo exigentes, evitando expor nossos preconceitos.

A sinceridade demanda em um primeiro momento que saibamos adotar uma certa distância diante das pessoas que encontramos para que possamos apurar nosso senso de observação. É preciso saber observar e saber ler nas entrelinhas.

O mesmo acontece com as relações de amizade. Podemos investir, partilhar, confiar e pedir a opinião dos outros. Não existe uma amizade verdadeira sem sinceridade e honestidade. Mas existe uma grande diferença entre ter relações de amizade e compartilhar sempre a mesma opinião. Embora a amizade comece por gostos comuns e por uma atração mútua, permanecemos sempre profundamente diferentes. E é por isso que é possível haver trocas. Sabemos que podemos contar com alguém, pedir sua opinião, que será toda própria e não dirá necessariamente o que queremos ouvir. É isso que nos tornará mais fortes e menos solitários.

Desde pequenos nossas relações com os outros são essenciais: são elas que nos estruturam, que nos permitem desenvolver plenamente e ampliar nossa experiência.

A ausência de harmonia nas relações com os outros pode ser um sinal de angústia ou revelar feridas profundas. Nesse caso, mesmo se não for fácil, é preciso assumir e ter coragem de falar, para conseguir forjar uma personalidade suficientemente forte e construir relações satisfatórias com os outros. Ter boas relações com nossos amigos e com nosso círculo social é sinal de que estamos bem conosco. É uma forma de nos abrirmos para o mundo, com o coração e o espírito.

Na amizade, como em outras relações humanas, a liberdade é essencial. É preciso saber o que temos vontade de fazer e poder expressá-lo. O importante, nessa liberdade que respeita o outro são os momentos que partilhamos quando estamos juntos. A troca de pontos de vista nos permite avançar.

Ter amigos, porém, não é estar sempre juntos. Cada um deve viver sua vida, para que possamos compartilhar os bons momentos quando nos encontrarmos. E também para pedir socorro quando precisarmos.

Por outro lado, é essencial saber respeitar o silêncio dos outros. E também saber escutar e, sobretudo, evitar julgamentos. Porque na maioria das vezes o que importa mesmo é a nossa presença. Nossos amigos necessitam dessa presença.




Antonio Carlos Amador

É psicólogo e psicoterapeuta de adolescentes e adultos. Professor no Departamento de Psicologia do Desenvolvimento da PUC-SP desde 1974, onde ministra disciplinas relacionadas ao desenvolvimento de adolescentes, ao desenvolvimento interpessoal, à psicologia comunitária e da saúde. Atua em consultório particular como psicoterapeuta e hipnoterapeuta, atendendo a adolescentes e adultos.



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