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Entenda a crioterapia, seus benefícios e aplicação

Juliana Prestes Mancuso 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Juliana Prestes Mancuso

A crioterapia é a utilização do frio com fins terapêuticos. É conhecida também como terapia por frio. A crioterapia é indicada nos casos de controle da inflamação, controle do edema, controle da dor, diminuição do espasmo muscular e facilitação da contração muscular.

Essa terapia possui diversas aplicações, entre elas: bolsas de gelo, imersão em água gelada e os sprays muito utilizados nos esportes.

O tempo de aplicação varia de acordo com a área e tamanho da lesão, mas em geral são usados cerca de 20 minutos de terapia. Em grandes porções musculares a crioterapia pode ser aplicada até em 40 minutos.

A fisiologia (ciência) dessa terapia consiste em:

- Diminuição da condução elétrica nervosa gerando alguns benefícios como analgesia (diminuição da dor);

- Redução do edema (impede que o inchaço se instale após uma lesão imediata);

- Redução dos efeitos da hipoxia secundária: quando temos uma lesão tecidual, uma pancada por exemplo, há naquele local, células que são destruídas pela lesão chamadas de hipóxia; o corpo ao tentar reparar essa lesão, acaba destruindo as células que estão perto das lesadas e a esse fenômeno damos o nome de hipóxia secundária;

- É um excelente estimulador e dessensibilizador: podemos usar o gelo para estimular uma área paralisada ou com hiper ou hiposensibilidade a fim de restabelecer a sensibilidade próxima do normal naquela região. Esse efeito de dessensibilização é muito usado em amputações a fim de diminuir a “dor em membro fantasma”. Isso ocorre devido à hipersensibilidade causada pela ligação de várias terminações nervosas que foram descontinuadas em um determinado ponto do membro. A estimulação pelo gelo ajuda que as fibras nervosas parem de enviar impulsos elétricos de forma exacerbada. Ou seja, ajuda a diminuir a condução do impulso nervoso, para que as informações cheguem “bagunçadas” ao cérebro, diminuindo esse efeito “doloroso”.

O universo de pesquisas que envolve essa terapia hoje é muito amplo com relação a alguns anos atrás e vem derrubado alguns mitos.

É mito dizer que se fica gripado quando se usa crioterapia no ombro ou pés. Pelo contrário, para uma torção de tornozelo o protocolo de criocinética (combinação de gelo e exercício) é excelente, garantindo uma boa recuperação em pouco tempo.

É mito dizer que em uma contusão (contração em um determinado ponto causando dores) o melhor é o uso do calor. A terapia por frio tem seu efeito de relaxamento muscular comprovado em literatura, e é muito eficaz a sua aplicação nesse tipo de lesão.

Outro mito é que a crioterapia só é usada em esportistas. A modalidade é utilizada em todas as pessoas, sejam elas atletas ou não, desde que não tenha nenhuma restrição fisiológica para o seu uso. Um grande exemplo é o uso popular da “faca de metal na testa para não criar “galo”, como dizia a vovó, isso porque o metal é frio e não é isolante térmico, com isso mantém a temperatura fria retirando o calor do local. Por isso a vovó já fazia crioterapia sem saber.

Protocolo de PRICE

O protocolo PRICE é uma sigla em inglês que significa proteção, repouso, gelo, compressão e elevação - colocar mesmo o membro lesado para cima. Ao levar a faca de metal à testa, a vovó fazia uma ligeira compressão, justamente para impedir que o edema se instalasse. Esse protocolo de PRICE consiste em proteger o local lesado, manter em repouso com gelo comprimindo a área machucada, conservando-a em elevação.

Agora já sabe, machucou faça compressas geladas.

Contraindicação

Como toda terapia, tem seu efeito contraindicado: o gelo não deve ser usado por pessoas alérgicas a ele e por pessoas que apresentem o fenômeno de Rainaud. Por exemplo, em dias frios pode mudar um pouco a cor das mãos, como uma típica resposta fisiológica, resultante de uma menor quantidade de sangue nas mãos e pés.




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Juliana Prestes Mancuso

É formada pela Universidade Anhembi Morumbi, especializada em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica pelo Instituto Cohen de Ortopedia e Medicina Esportiva, Fisiologia do Exercício pela Universidade Veiga de Almeida, Fisioterapia do Sistema Musculoesquelética pela Universidade São Marcos e em acupuntura e medicina chinesa pelo Centro Científico Cultural Brasileiro de Fisioterapia. É responsável pelo site e grupo de discussão Fisioterapeutas Plugadas.



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