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Duas razões para manter as crianças longe das redes sociais

Renato Miranda 01/01/2016 COMPORTAMENTO
O contato virtual é danoso para as crianças

por Renato Miranda

A tecnologia da informática não só melhorou a quantidade e a qualidade de informações como ampliou a comunicação entre as pessoas através de redes sociais, em destaque o Facebook.

Muito embora haja quem duvide das ditas “relações sociais” virtuais, fato é que cada vez mais pessoas se inscrevem nesse mecanismo virtual de relacionamento. Ademais, o número de crianças ainda por volta dos 10 anos de idade (às vezes mais novas ainda) é crescente quando se fala em Facebook.

A despeito do valor dessas “relações virtuais” no tocante à exposição pessoal e familiar, descontrole dos interlocutores por meio de informações falsas, vazamento de dados para as empresas controladoras das redes sociais e perigos proveniente de um contato amplo e intenso, como ameaças físicas e morais, violência das mais variadas formas e outros; as redes sociais já são um fato, são admitidas como resultado da evolução das tecnologias e de fundamental para grande parte das pessoas.

No entanto, muitos pais me perguntam se crianças ainda em tenra idade, que ainda nem entraram na adolescência (12 anos) devem pertencer a esse meio virtual?

Além disso, não seria esse pertencimento um meio de afastar ou dificultar uma formação pessoal mais ativa fisicamente e até mesmo socialmente, já que a relação virtual além de provocar alguém a ficar muito tempo sentado em frente ao computador ou conectado através de outro meio (ex. smartphone), se torne “viciada em rede social”?

Minha opinião sobre isso é muito simples e firme: crianças devem ficar longe da internet, principalmente das redes sociais.

Duas razões para manter as crianças longe das redes sociais

1ª) Creio que crianças, de um modo geral, são sinceras e o meio virtual não é “amigo” da sinceridade. Ou seja, se uma pessoa quiser fracassar ou ter problemas pessoais basta ser verdadeira nas redes sociais.

2ª) Nessa faixa etária crianças devem se exercitar, aprender movimentos (técnicas elementares dos esportes), aprender como se alimentar saudavelmente, conviver com outras crianças em espaços educativos e esportivos.

Este é um pequeno resumo, mas eficaz, que previne a obesidade infantil, o distanciamento social, a introspecção demasiada, as desordens emocionais e outros ditos distúrbios que atualmente afligem famílias.

Os pais devem estimular o aprendizado intelectual compatível com a idade (por exemplo, aprender um idioma estrangeiro, música e outros), sem esquecer o valor do desenvolvimento corporal, emocional e moral (espiritual) - valores positivos transmitidos pela família.

O contato virtual é danoso para as crianças, pois as mesmas sequer experimentaram tudo aquilo que é concreto, como por exemplo: formas variadas de movimento e experimentação de emoções em relação ao outro por meio do convívio (e o esporte é um excelente meio para isso).

Estar sozinho se comunicando com outros, sem saber (por vezes) exatamente quem são seus interlocutores, exige certo grau de maturidade e crítica, e nesse sentido as crianças ainda não estão preparadas.

Portanto, não deixemos passar a oportunidade de na tenra idade oferecer, esporte, música, idiomas, artes e tudo aquilo que possa promover a formação de uma personalidade sofisticada e preparada para os anos posteriores, a fim de inclusive, manejarem se for o caso, as redes sociais com mais disciplina e cuidado.

Pessoas que afirmam que não estar conectado é estar fora do mundo são indutoras do egocentrismo e da vaidade que acham que tudo que fazem é muito importante e por isso, muita gente precisa saber ou ainda acreditam que amigos existam por toda parte e de alguma forma todos eles têm que compartilhar algo, por mais fútil que seja até mesmo o prato que comem no almoço.

Expandir energia através do movimento corporal (e nada melhor que o esporte e atividades correlatas), convivência em um ambiente propício à liberdade e a educação disciplinada, oferecer percepções de descoberta (através de atividades desafiadoras e compatíveis com a criança), vivências com outras crianças em um ambiente com legítima percepção de segurança e supervisão de adultos preparados, são caminhos muito mais promissores do que um clique no mouse.




Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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