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A criança e a web: uma forma prazerosa de aprender

Ceres Alves Araujo 01/01/2016 PSICOLOGIA
É uma ferramenta bem-vinda para crianças e jovens mais tímidos

por Ceres Araujo

As tecnologias que hoje se desenvolvem em ritmo cada vez mais vertiginoso, mostram-se como instrumentos de modificação, das formas pelas quais as crianças se relacionam com a comunicação e a informação.

Os recursos de imagem, sons, grafismos, textos atraem a atenção de crianças cada vez mais jovens e permitem, com facilidade de utilização, um aprendizado adaptado às diferentes capacidades, ritmos e estilos das crianças.

Assim, em função de necessidades, motivações e desejos genuinamente pessoais, a criança estabelece uma relação com a internet, buscando interações diversas, apropriando-se de informações, a partir de seus canais de interesse, podendo também sempre eleger suas prioridades. Sem dúvida, é o modo de construção de conhecimento mais característico de nossos tempos, absolutamente compatível com essa criança do século XXI.

São sabidas as preocupações que os pais têm em relação à “navegação” de seus filhos na internet. Têm medo que eles sejam assediados online, que encontrem e frequentem sites pornográficos, que façam compras indevidas, que exponham sua privacidade, que fiquem viciados na internet, etc.. Além disso, os pais buscam saber a partir de que idade podem permitir o acesso dos filhos aos diferentes serviços, se devem estabelecer horários, se devem ler as conversas deles através das mensagens que enviam e recebem; como podem usar os relatórios sobre atividade online dos serviços de mensagem, etc.. Portanto, ao lado de todos os ganhos, a internet trouxe um novo fator de estresse para os pais.

O segmento de utilização da internet que cresce mais rápido no mundo todo, é o da idade pré-escolar. Com um ano, a criança já se interessa pelas fotos da família mostrados nas telas e quer brincar nos sites dedicados aos pequeninhos, onde, por exemplo, sons de animais são mostrados. Dos dois aos quatro anos, a criança já começa a mostrar autonomia na utilização de sites, que oferecem jogos e ferramentas de pesquisa orientadas para essa faixa etária. Aos cinco, seis anos, a criança já é autônoma de fato, na exploração da web, sendo que seu interesse pela internet, passa a crescer muito.

Na fase escolar, a criança vai se tornando perita no manejo dos sites. Os jogos interativos chamam muito sua atenção, os meios de mensagem a seduzem e ela aprecia a possibilidade de comunicação com os colegas. Pode começar a se interessar pelos sites que sabe ou julga serem proibidos pelos adultos e compartilha tal interesse com os amigos.

Da pré-adolescência em diante, os filhos tendem a dominar muito mais as ferrramentas da web que a maioria de seus pais. Tornam-se tecnicamente muito sofisticados. Interessam-se pelas salas de conversação, pelos serviços de mensagem, ao mesmo tempo que se prendem aos jogos interativos e às suas pesquisas e lições da escola. Deixam-se invadir por estímulos de ordens diversas e buscam responder a todos simultaneamente.

A relação com a internet pode ser prioritariamente lúdica para crianças, adolescentes e adultos. O videogame é uma das mídias eletrônicas de maior fascínio na atualidade, mostram os estudos sobre tecnologia da comunicação. Podem ser jogados no computador assim como em plataformas especiais (como o Nitendo, Playstation, Wii, D.S.). Os jogos dividem-se quanto aos conteúdos em: ação, esportes, estratégia e luta.

As crianças são atraídas por esses jogos devido à grande possibilidade de interação, são participativos, permitindo ao jogador construir uma realidade onde ele controla o que quiser, com liberdade de escolha. Isso é especialmente encontrado nos jogos de estratégia. A imaginação e a criatividade são desenvolvidas pela necessidade de administrar um jogo dinâmico, no qual é necessário criar ações complexas, testar hipóteses sobre o mundo criado (virtual), encontrar soluções para situações-problema, sob a forma de simulações que seriam impossíveis no mundo real.

Com frequência, nesses jogos não há pressão para que haja um vencedor. Na maioria dos jogos eletrônicos não existe competição, tem-se trajetórias a construir. O desafio está na melhora da própria execução. Os jogos preveem vários começos, meios e fins para as narrativas, o que permite que cada usuário conte a história a seu modo, desenvolvendo ideias personalizadas.

Os jogos de luta têm sua função por favorecerem o confronto com a própria agressividade, que poderá levar mais tarde à possibilidade de controle sobre os impulsos e à possibilidade da regulação das emoções. Não são, portanto, necessariamente malévolos, pois, ainda que o inimigo deva ser massacrado e destruído, ele ressuscita a cada novo jogo. Devem ser evitados, evidentemente, os jogos desnecessariamente violentos ou perversos.

Ferramenta para os tímidos

Como forma de comunicação, a internet estimula o desenvolvimento da conduta social. É uma ferramenta especialmente bem-vinda para as crianças e jovens mais tímidos, que costumam ter dificuldade no relacionamento direto com seus colegas. Diferente do contato imediato, espontâneo, a comunicação na rede permite um tempo de reflexão muitas vezes necessário para a pessoa mais intimidada nos relacionamentos interpessoais.

É necessário que diminua o preconceito dos pais em relação à utilização da internet pelos filhos. Ela é um instrumento de comunicação, de aprendizado e um brinquedo por excelência. Sem dúvida, a utilização excessiva do computador, dos serviços de mensagem e dos jogos eletrônicos pode afastar a criança e o jovem do exercício físico, da convivência real com seu grupo etário, com seus familiares, pode perturbar o sono e a alimentação, levando ao vicio.

Muitas vezes o problema do vicio não é percebido, até que se torne muito grave. Entretanto, na medida certa, a relação entre a criança e a web é enriquecedora para sua vida psíquica, permitindo o exercitar da imaginação e da liberdade de descobrir e criar.




Ceres Alves Araujo

É psicóloga especializada em psicoterapia de crianças e adolescentes. Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC e autora de vários livros, entre eles 'Pais que educam - Uma aventura inesquecível' Editora Gente.



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