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Alimentação para gestantes: cuidados essenciais e a pirâmde alimentar

Redação Vya Estelar 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

Da Redação

A gestação compreende um período especial na vida da mulher, uma vez que seu organismo passa por várias modificações a fim de permitir o crescimento e desenvolvimento do feto. Essas modificações fisiológicas demandam alguns cuidados, em especial no que se refere à alimentação, pois a gestante necessitará de nutrientes para atender às suas necessidades e às do bebê em formação.

Estudos têm buscado avaliar a influência da alimentação da gestante no comportamento alimentar de seus filhos. Um estudo experimental conduzido com ratas por Bayol e col.(1), em Londres, mostrou que a exposição da mãe a uma alimentação rica em gorduras, açúcares e sal durante a gestação promoveu um apetite exagerado com preferência seletiva por “junk food”, assim como um ganho de peso excessivo de seus filhotes quando comparados a filhotes de ratas alimentadas com ração balanceada.

Esse resultado mostra a importância da orientação nutricional durante o período gestacional com o objetivo de estabelecer uma alimentação saudável e adequada para este período com repercussões que provavelmente se refletirão no futuro da criança.

Os autores enfatizam que hábitos alimentares saudáveis devem ser encorajados não apenas em crianças pequenas, mas também em grávidas e mulheres que estão amamentando. Portanto, as mulheres não devem considerar a gravidez e o aleitamento materno como uma oportunidade para se permitirem ingerir alimentos gordurosos, doces e salgados em excesso, com uma ideia equivocada de que elas estão “comendo por dois”.

Também foram encontradas evidências de que uma dieta materna baseada em “junk food” pode promover, além de um paladar exacerbado, uma maior propensão à obesidade em seus filhos, o que pode representar uma dificuldade maior de encorajá-los a restrições calóricas e, consequentemente, de controlar a obesidade e os problemas a ela relacionados.

Assim, a adoção de uma alimentação adequada é uma estratégia fundamental para assegurar à gestante e a seu bebê os elementos necessários para esta importante e singular fase da vida.

O conhecimento existente sobre as necessidades nutricionais da gestante enfatiza o consumo de uma alimentação saudável, resultado da escolha de alimentos de alto valor nutricional. Para auxiliar nesta tarefa, temos os guias alimentares que foram elaborados com o objetivo de auxiliar a adoção de dietas saudáveis.

Como exemplo, temos a “Pirâmide Alimentar” adaptada para a população brasileira, conforme descrita a seguir:

Observando atentamente a Pirâmide Alimentar, pode-se verificar que os óleos, gorduras, açúcares e doces encontram-se no topo, o que significa que devem ser consumidos com moderação, visto que são ricos em calorias. Se consumidos em excesso, poderão causar ganho excessivo de peso.

Consumo de ferro

Ainda, particularmente no caso de gestantes, é importante destacar o consumo de ferro, uma vez que existe uma tendência à anemia ferropriva durante este período, pois o feto tem grande necessidade de ferro para a formação de suas próprias hemácias (células sanguíneas) e busca avidamente este nutriente em sua mãe. Os alimentos “fonte” de ferro estão presentes nos grupos das carnes e leguminosas (feijões) e devem ser consumidos diariamente. É importante destacar que o ácido ascórbico (presente em frutas cítricas como laranja, caju e limão) ajudam a absorver o ferro presente nas leguminosas. Deste modo, as frutas cítricas devem ser consumidas como suco ou sobremesa das principais refeições (almoço e jantar).

Outra maneira de aumentar o consumo de ferro é o uso de alimentos fortificados atualmente disponíveis em grande variedade no mercado, como leite, iogurtes, cereais matinais, etc.

Consumo de fibras

Durante a gestação também existe uma tendência à constipação intestinal em razão de alterações hormonais, da diminuição de atividade física à medida que a gestação progride e da suplementação medicamentosa. Para prevenir este problema, é importante que a gestante consuma fibras diariamente, de preferência por meio de alimentos como vegetais folhosos, frutas – sempre que possível com bagaço (laranja, mexerica...) – e ainda mamão, pêra, ameixa, conforme porções indicadas na pirâmide alimentar.

Resumidamente, a alimentação deve ser completa e balanceada, conforme o guia alimentar. Deve conter todos os grupos de alimentos: leite e derivados, importantes para o fornecimento de cálcio; frutas, vegetais e cereais integrais, como boas fontes de fibras, vitaminas e minerais. Precisa ainda ser fracionada em seis refeições diárias (a cada três horas) para obter a adequada manutenção dos níveis de nutrientes no sangue e aumentar a ingestão hídrica (ingestão total de líquidos – bebidas, alimentos e água) que deve estar em torno de três litros, dos quais dez copos devem ser de água.

Sempre que possível, é importante consultar um nutricionista, já que a dieta deve estar adequada ao estado nutricional, o que requer um profissional habilitado para realizar a avaliação individual e a orientação adequada às características individuais da gestante.

(1) Bayol, SA; Farrington, SJ; Stickland, NC. A maternal 'junk food' diet in pregnancy and lactation promotes an exacerbated taste for 'junk food' and a greater propensity for obesity in rat offspring. British Journal of Nutrition. 2007 Oct;98(4):843-51. Epub 2007 Aug 15.

Fonte: Dra. Rita Maria Monteiro Goulart (CRN-3: 3893) é nutricionista, mestre e doutora em Saúde Pública.




Redação Vya Estelar



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