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Concentração, prazer e bom humor agem no cérebro e no aprendizado

Marta Relvas 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Marta Relvas

A forma como aprendemos também está relacionada ao funcionamento cerebral. Para a educadora e pesquisadora em Biologia do Desenvolvimento Cognitivo, Marta Pires Relvas, também autora do livro Neurociência e Educação: Potencialidades dos gêneros humanos na sala de aula (WAK Editora), os professores precisam se despertar para o conhecimento da biologia do cérebro de seus alunos.

A seguir, dicas da pesquisadora sobre o assunto.

Concentração

• Ela é importante, pois favorece a organização do raciocínio e do pensamento, tendo como finalidade focar com precisão aquilo que se tem como objeto de interesse. Esse processo acontece na área do cérebro denominada córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento de tarefas, pela execução de atividades cognitivas e comportamentos.

• Cada pessoa responde aos estímulos externos diferentemente. Por isso, é preciso ficar atento se música e televisão ligadas, por exemplo, estão inibindo o aprendizado.

Prazer e bem-estar

• O cérebro é ativado por um circuito de recompensa, que fica localizado no sistema límbico, área responsável pelo prazer, medos e afetos. Nele, encontram-se o hipotálamo, a hipófise, o hipocampo e as amígdalas cerebrais, que são estruturas do desencadeamento das emoções e que provocam reações no corpo, como batimentos cardíacos acelerados, sudorese, choro, gritos e gargalhadas.

• Por meio de incentivos e recursos agradáveis, o professor pode promover estímulos positivos, que perpassam pelos sentidos e que serão levados ao cérebro, decodificados, interpretados e armazenados nas células neurais (essas produzirão e liberarão neurotransmissores que promovem o bem­estar).

• Como a aprendizagem também está relacionada ao sistema de recompensa, ou seja, ao prazer, se o aluno não encontrar, em seus arquivos da memória e da emoção, o significado daquela informação, poderá se desinteressar sobre o assunto.

Bom humor

• A aula bem-humorada é aquela que promove a liberação de serotonina, neurotransmissor que estabelece uma relação de vínculo mais prazeroso, menos tenso. É aquela em que professores e alunos estão felizes nas trocas de experiências; é permitido pensar e refletir sobre as ações pedagógicas desenvolvidas com a participação de todos embasada no respeito, na ética e no compromisso com a aprendizagem.

• A área do cérebro responsável por essa função é o sistema límbico, juntamente com o córtex cognitivo do pré-frontal.

A Neurociência não é uma fórmula pronta para ser aplicada à Pedagogia, mas é capaz de promover olhares diferenciados para que os educadores possam compreender melhor a aprendizagem do aluno em sua singularidade, no universo da pluralidade que é a sala de aula. 




Marta Relvas

É Bióloga, Dra e Ms em Psicanálise, Neuroanatomista, Neurofisiologista, Psicopedagoga e Especialista em Bioética. Tem certificação internacional em Educação na Abordagem Reggio Emília na Itália e Title in Education Neurosciences and childhood and adolescence learning of Erasmus+ University – Europe – Portugal. É Membro Efetiva da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, e da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Autora de livros e DVDs sobre Neurociência e Educação pela Editora WAK e Editora Qualconsoante de Portugal. Professora Universitária da AVM Educacional / UCAM, UNESA - RJ e Professora Pesquisadora convidada no curso de Pós-graduação de Neurociência do IPUB/ UFRJ. Coordenadora do Programa de Pós-graduação de Neurociência Pedagógica na UCAM / AVM Educacional. Palestrante no Brasil e no exterior.



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