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Não acredite na fugaz alegria de uma compra

Regina Wielenska 01/01/2016 PSICOLOGIA
Não acredite na fugaz alegria de uma compra
Fonte: Imagem Pixabay
Quanto de real alegria e qualidade de vida eu ganho se comprar isso?

por Regina Wielenska

Aproximam-se as festas de fim de ano, as férias escolares e o recesso nas empresas. Que delícia, não? Ainda mais se contarmos com o décimo-terceiro salário, tão providencial...

Minha pequena coluna desta quinzena poderá lhe parecer um desmancha-prazer, mas vamos ao que importa: cuidado com o bolso.

Só vai chegar sereno em fevereiro quem se planejar bem. Lembre-se de que em dezembro geralmente aumentam as despesas.

Ficamos envolvidos com compra de presentes, roupas e cabelereiro para as festas, preparo da ceia (tudo caro, muuuuito caro...), encontros entre amigos pra celebrar o ano que se encerra. Se não formos cautelosos, isso já causa um rombo no orçamento de qualquer um. Aí chega janeiro com IPVA, IPTU, matrícula escolar, material e uniforme, sem esquecer que, confinadas ao lar, há crianças ansiando por cinema, pipoca, parques, sorveterias, hambúrgueres de lanchonete.

Desconfie dos anúncios que oferecem pagamento sem juros e prazos longos. Na verdade, há muitos acréscimos embutidos, a mercadoria sai bem mais cara do que em lojas que não oferecem essas facilidades. Compare preços, entre bairros, entre lojas de diferentes redes, entre lojas físicas e na web. As diferenças são gritantes.

Cartão de crédito, se não for quitado integralmente na data do vencimento, vai te custar os olhos da cara. Cheque especial e juros de cartão de crédito constituem o caminho da bancarrota de muita gente.

Não acredite na fugaz alegria de uma compra. Se o dinheiro for curto e você fizer bobagem de gastar mais do que deve (com a desculpa do tipo "Eu trabalho tanto, me sacrifico o ano inteiro, eu mereço tal e tal coisa"), hoje pode mesmo ser motivo de prazer instantâneo, mas depois chegam a culpa e o nervoso quando você constatar as dívidas que lhe restaram.

Seis perguntas para driblar uma compra emocional:

1ª) Eu preciso comprar isso?

2ª) Quanto de real alegria e qualidade de vida eu ganho se comprar isso?

3ª) Como eu posso me dar algum tipo de prazer sem me endividar?

4ª) Eu tenho fundos para quitar isso?

5ª) Se eu economizar pra comprar à vista, pedindo desconto na loja, não será bem mais sensato?

6ª) O panorama geral das minhas despesas fixas e sazonais comporta essa compra?

Procure por tudo na ponta do lápis, avalie cada centavo. Planeje as compras e tenha a coragem e sabedoria de fazer cortes. Um exemplo bobo: se o peru da ceia estiver caro, qual o drama de servir coq au vin, refinado prato francês com frango? Será que nas férias as crianças poderiam sair menos se você organizar em casa uma caça ao tesouro bem divertida ou se os avós as levarem semanalmente pra visitarem a biblioteca pública do bairro? É tão bom deixar a imaginação viajar com os livros de aventura...

Dinheiro é pra ser gasto, e caixão não tem gaveta. Mas é bom fazê-lo com sabedoria, moderação e respeito a você ou a quem lutou muito para ganhar cada tostão. Você me promete ter juízo com o décimo-terceiro?




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Regina Wielenska

É psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental na cidade de São Paulo. Graduada em Psicologia pela PUC-SP em 1981, é Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela IP-USP. Atua como terapeuta e supervisora clínica, é também professora-convidada em cursos de Especialização e Aprimoramento. Publicou dezenas de artigos científicos, e de divulgação científica, além de ser coautora de livros infanto-juvenis.



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