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Vida e morte dos pequenos empreendimentos - Parte II

Roberto Santos 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Roberto Santos

No texto anterior (veja aqui) falei sobre o sonho de empreender e sugeri dez excelentes dicas para sua empresa sobreviver, elaboradas pelo SEBRAE.

Havia dito também que precisamos trabalhar naquilo que gostamos, naquilo em que somos bons e naquilo que tem potencial de sucesso no mercado. Esse é um bom tripé para sustentar o começo de um novo sonho empreendedor e, como sabemos pelas lições básicas da geometria, se descuidamos de um desses três elementos, o plano cai por terra.

O tripé parece simples, mas as respostas a esses três pontos não são tão fáceis quanto as perguntas, começando com:

- O que eu realmente gosto?

- Qual é minha verdadeira vocação?

Agora, vamos refletir sobre como respondê-las.

Uma das consultas mais frequentes em minha coluna Cyber Carreira nos últimos 5 anos, se refere às Encruzilhadas de Carreira (veja aqui).

Várias pessoas passam cerca de 15 anos em uma carreira para chegar à conclusão que não trabalham naquilo que gostam, mas naquilo que precisaram um dia e foram adiando sua realização profissional e sua felicidade. Por isso, quando se pensa em abrir um negócio próprio, se necessita refletir sobre o que nos dá prazer, o que realmente nos motiva, para entrarmos em contato com os sonhos adormecidos ou abandonados. Pois, como disse Confúcio, o filósofo chinês que viveu entre 551 e 479 A.C., "Escolha um trabalho que você ame e você nunca terá que trabalhar um dia em sua vida."

Claro que a maioria de nós tem que trabalhar, mas fazê-lo no que se gosta, não fará do trabalho, aquele instrumento de tortura da Idade Média que deu origem ao termo “trabalhar” que vem de “tripaliare” ou seja despedaçar o coitado esticando-o pelos quatro membros.

A segunda pergunta que precisamos nos responder é: “...mas afinal, em que eu sou bom pacas?” ou “quais são minhas qualidades, habilidades, competências, talentos que são reconhecidos não apenas por meu orgulho e autoestima pessoais, mas pela maioria das pessoas e empresas em que eu trabalhei, antes de montar um negócio próprio? ou se é seu primeiro trabalho, “em que matérias em que era bom na escola ou em outros serviços comunitários? – matemática, liderança, idiomas, relações interpessoais?

Infelizmente, não necessariamente somos tão bons naquilo que mais gostamos de fazer, haja visto tantos cantores de chuveiro que desistem da carreira artística por sua valiosa autocrítica. Não apenas precisamos usá-la, por meio de consultas a pessoas ou dados fidedignos sobre a avaliação de nossas competências intra e interpessoais, de negócios e de liderança, como precisamos identificar em que posso apresentar um diferencial que vai me destacar no mercado – um dom artístico, uma proficiência em idiomas, um liderança carismática, uma habilidade de persuadir e vender ideias, etc – podem fazer boa parte da diferença entre a sobrevivência e mortalidade.

Relacionado a algumas dessas habilidades está outro elemento muitas vezes adiado durante uma carreira profissional como empregado que depois poderá fazer muita falta no começo do seu próprio negócio – o famoso “networking” ou rede de relacionamentos – que pode ser o primeiro “abridor de portas” de seu empreendimento. O mesmo que se sugere nas empresas sérias de “outplacement” ou recolocação profissional, isto é, de montar sua “árvore de relacionamentos” ao longo de sua vida, serve para esta importante transição de carreira. Àquelas pessoas que estão acalentando um sonho empreendedor em sua segunda ou terceira carreira, se ainda não o fez, inclua o “networking” em suas atividades importantes, pois urgentes elas poderão vir a ser quando for um tanto tarde demais.

Finalmente, no tripé citado, fazer o que se gosta, trabalhar no que se tem um diferencial são elementos necessários, mas não suficientes – se queremos mais chance de estar do lado vivo das estatísticas. Precisamos encontrar um negócio, uma franquia, um serviço ou indústria, um nicho de mercado, que também tenha potencial de gerar negócios lucrativos de maneira sustentável. Nesse elemento, é onde mais se dispõe de informações com a riqueza assustadora da internet, por leituras, links, redes sociais e treinamentos como os oferecidos pelo SEBRAE. Neste item, dependemos muito menos de reflexões pessoais introspectivas sobre nossas motivações e habilidades, mas também precisamos estar alertas para as tentações de querer ver os dados de mercado que coincidem nossas paixões.

"Eu gosto de um sanduiche", então terei uma tendência de ouvir ou lembrar apenas das histórias de sucesso de pessoas que tiveram uma franquia de uma determinada rede de lanches. Nossa percepção é seletiva também pela nossas motivações e paixões, mas neste momento, frieza intelectual e equilíbrio emocional são a chave para evitar decepções futuras.

Quando sonhamos com o sucesso de um empreendimento próprio, como forma de realizar distintas motivações, nos vêm à mente a imagem de passar uma boa parte do final da vida, descansando ou balançando em uma rede, num ócio quase que Caetano. Porém, se pensarmos em começar e desenvolver um negócio em bases sólidas, melhor planejarmos com a firmeza de um banco sustentado por um tripé, do que o “balança mas não cai” de nossa rede da preguiça.

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Roberto Santos

Profissional de Recursos Humanos, com mais de 40 anos de atuação no mercado, Roberto teve diversas posições como profissional e executivo de RH em multinacionais de grande porte. É sócio-diretor da Ateliê RH, consultoria com mais de 14 anos de atuação no mercado, e distribuidor Hogan no Brasil. Mais informações: www.atelie-rh.com.br

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