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Réveillon: procedimentos emergenciais para quem passar mal com o abuso de álcool e drogas

Danilo Baltieri 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Não existe dosagem segura para a ingestão de álcool

por Danilo Baltieri

Infelizmente, no Réveillon, são muitas as entradas em serviços de emergências médicas por problemas relacionados ao consumo inadequado de álcool e outras drogas. Segundo alguns estudos, durante os feriados a procura por serviços de emergências médicas devido às negativas repercussões relacionadas ao consumo de álcool e outras drogas aumenta.

Como regra geral, não existe qualquer nível seguro estabelecido para o consumo de qualquer substância psicoativa.

Em relação ao álcool, em anos recentes, tem havido grande atenção científica e clínica em torno do chamado “beber moderado”. Apesar deste esforço, não há definição universalmente aceita sobre o que deve ser uma “moderação” em relação ao consumo de álcool. Para alguns o “beber moderado” significa o consumo que não provoca intoxicação; para outros, corresponde ao consumo não prejudicial pessoal e socialmente. No entanto, a relativamente baixa acurácia científica na definição do “beber moderado” torna difícil qualquer estimativa de uma quantidade de bebida alcóolica considerada segura.

Além disso, deve-se sempre considerar que as pessoas apresentam diferentes reações às mesmas quantidades de bebidas ingeridas, variando de acordo com o gênero, idade, peso corporal, nível de tolerância, aspectos genéticos, aspectos psicológicos, associações com outras substâncias, dentre outros fatores.

Em relação às bebidas alcóolicas, um adequado conselho ao público que pretende beber nas festas deve sempre considerar as diferenças individuais e os fatores situacionais e pode incluir o seguinte:

a) É sempre adequado evitar a intoxicação;

b) A abstinência de álcool é a única escolha segura em situações que representam risco de acidentes;

c) A abstinência é a melhor escolha durante a gestação;

d) A abstinência é, seguramente, a única escolha para aqueles que sofrem de alguma doença que é agravada pelo consumo de bebidas alcóolicas (por exemplo, depressão, hipertensão arterial, doenças hepáticas e gástricas);

e) A evitação de qualquer contato com bebidas alcóolicas é uma decisão inteligente e saudável para aqueles que sabidamente apresentam problemas com o consumo de álcool e outras drogas (alcoolistas, usuários e dependentes de cocaína/crack);

Caso estejamos diante de um parente ou amigo que manifeste sintomas de intoxicação alcóolica (fala pastosa, marcha instável, comportamento agressivo ou inadequado, prejuízo da crítica, vômitos), devemos levá-lo a um serviço de urgências médicas para ser adequadamente tratado. Infelizmente, muitas das conseqüências indesejáveis da intoxicação alcóolica poderão ser evitadas com esta atitude.

No entanto, vale uma ressalva: os pronto-socorros nesta época costumam trabalhar em regime de plantão, o que pode significar menos pessoal qualificado de prontidão; além disso, como foi dito no início deste texto, existe a chance de aumento de pacientes intoxicados por álcool e outras drogas procurando estes serviços de urgência médica. Logo, vale a pena evitar os excessos e curtir a folia apreciando seu próprio comportamento e dos seus amigos e parentes. Bom Réveillon!

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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