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Alcoolismo: e quando nem internar resolve?

Danilo Baltieri 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
O seu tratamento precisa ser reavaliado por especialistas na matéria

por Danilo Baltieri

"Sou alcoolista, 60 anos, faço tratamento há dez. Já tive 14 internações, a cirrose hepática ocasionou minha invalidez. Não consigo começar e levar avante um tratamento. Por favor, me ajude."

Resposta: Os portadores da Síndrome de Dependência de Álcool constituem uma população bastante heterogênea. Isso significa que nem todos os pacientes respondem adequadamente a uma mesma fórmula terapêutica. Inúmeros ingredientes podem compor de forma diferenciada cada quadro clínico. Aspectos genéticos, neurobiológicos, psicológicos, ambientais, familiares e sociais devem ser rigorosamente avaliados ou analisados para que os tratamentos sejam potencialmente eficazes.

Considerações: Processo terapêutico para tratamento de alcoolismo

a) A Síndrome de Dependência de álcool é uma doença crônica que demanda tratamento prolongado;

b) Recaídas fazem parte do tratamento; entretanto, é esperado que os portadores consigam driblar progressivamente e com grande sucesso as situações de risco muitas vezes inevitáveis;

c) Os pacientes portadores de dependência de álcool constituem uma população heterogênea;

d) Os melhores resultados terapêuticos estão diretamente relacionados com a adesão dos pacientes às orientações médicas. Costumo dizer que o tratamento é uma via de mão dupla, ou seja, não basta uma equipe de profissionais disponível, especializada e interessada em ajudar; a participação ativa do paciente é imprescindível ou essencial para o sucesso terapêutico;

e) Existem várias formas de tratamento para a Síndrome de Dependência de Álcool. A individualização da proposta terapêutica deve sempre ser adequadamente realizada e cientificamente baseada;

f) Medicações comprovadamente eficazes no tratamento dessa doença são ferramentas indispensáveis em muitos dos casos;

g) A associação entre tratamentos biológicos e psicológicos deve ser considerada, sempre quando possível;

h) Internação é apenas uma das formas de manejo clínico para essa doença. Esse procedimento terapêutico deve ter objetivos claros e bem definidos.

Sempre quando uma proposta terapêutica falhar no seu objetivo de recuperar um paciente, outras formas de manejo clínico devem ser avaliadas. A colaboração ativa do próprio paciente e dos seus familiares é absolutamente necessária.

Muitas doenças médicas representam grande desafio para os especialistas e para aqueles que delas padecem. Essa é uma das razões pelas quais pesquisas cientificas são produzidas ao redor do mundo objetivando averiguar os melhores resultados em termos de eficácia terapêutica e melhora da qualidade de vida dos doentes.

Você, seguramente, não é o único portador dessa grave doença médica que não está conseguindo bons resultados em termos de cessação de consumo e melhora da qualidade de vida. O seu tratamento precisa ser reavaliado por especialistas na matéria, averiguando quais os principais problemas e falhas durante os processos anteriores (lembro, novamente, que o tratamento é uma via de mão dupla!). A cirrose hepática é uma das complicações do alcoolismo. Você precisa urgentemente cessar o consumo de bebidas alcoólicas. Para isso, não perca tempo e procure um especialista para reavaliar juntamente com você o curso da sua doença e tratamento.

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.

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