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Exercício físico e interação social podem reduzir declínio de memória na doença de Alzheimer

Ricardo Arida 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Ricardo Arida

Em texto recente (veja aqui), comentamos os resultados de um estudo recente publicado numa revista de geriatria (International Journal of Geriatric Psychiatry) que avaliou as atitudes e motivações de pessoas com idades entre 50-65 anos em relação a “manter um cérebro ativo” (1).

Os autores enfatizaram que dançar pode ajudar na prevenção de demência. Um trabalho publicado no mês de julho numa das revistas de maior impacto científico – Nature – confirma esses achados (2).

A dança pode não ser o primeiro tratamento preventivo para a doença de Alzheimer, mas pode ser uma alternativa para aqueles preocupados com a sua memória em declínio. Perminder Sachdev, neuropsiquiatra da Universidade de New South Wales, em Sydney – Austrália comenta que a dança inclui uma associação de estímulos que ajudam a prevenir a demência. A dança pode envolver uma associação de atividade cognitiva, atividade física e interação social.

Muitos estudos epidemiológicos têm mostrado que o exercício físico, a atividade intelectual, relações sociais e uma dieta saudável induzem a um menor risco de demência. Apesar de resultados animadores sobre este assunto, é importante avaliar a quantidade de exercício, qual o melhor tipo de atividade intelectual e em que estágio cada um desses fatores poderia influenciar o curso da doença.

De uma forma bem simplista, podemos sugerir quais são os mecanismos que porvocam essa melhora. Estudos com roedores mostram pelo menos dois mecanismos diferentes. Primeiro, a atividade física reduz a formação de ß-amiloide - uma proteína que compõe as placas características da doença de Alzheimer. A atividade física também está associada à produção e liberação de substâncias no cérebro, como fatores de crescimento neuronal que promovem a formação de neurônios e conexões entre eles. Isso pode fazer com que o cérebro seja capaz de lidar melhor com as alterações patológicas da doença de Alzheimer. A o texto anterior apresenta com mais detalhes, o assunto e os trabalhos que reforçam esses achados.

Se conseguirmos pelo menos prevenir alguns dos fatores que provocam esses declínios relacionadas com a idade, poderemos fazer com que nossa qualidade de vida seja melhor com o avançar da idade.

1- Bowes A, McCabe L, Wilson M, Craig D. 'Keeping your brain active': the activities of people aged 50-65 years. Int J Geriatr Psychiatry. 2011 May 2.
2- Prevention: activity is the best medicine. Nature. 2011;475(7355):S16-7.

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Ricardo Arida

Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com

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