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Corredores de alto nível têm bdnf aumentado, indicam estudos

Ricardo Arida 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Brain Derived Neurotrophic Factor (BDNF) = proteína fabricada pelos neurônios

por Ricardo Arida

Vários estudos na literatura têm documentado os efeitos benéficos da atividade física regular em vários aspectos da função cerebral. A atividade física pode promover vários benefícios para a saúde, como níveis mais baixos de estresse, diminuição da ansiedade e sintomas de depressão.

Esses efeitos benéficos relacionados à prática de exercício físico podem estar diretamente associados a vários mecanismos capazes de modular a liberação e utilização de neurotransmissores. Um dos mecanismos para esses efeitos envolve o aumento de fatores neurotróficos. Os fatores neurotróficos constituem um grupo heterogêneo de peptídeos que regulam os processos de proliferação, desenvolvimento e diferenciação de neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelos neurônios, permitindo a comunicação entre as células.

Um dos fatores neurotróficos de maior impacto sobre a plasticidade cerebral é o fator neurotrófico derivado do encéfalo (brain derived neurotrophic factor, BDNF). O BDNF pode induzir a plasticidade neuronal, retardar a morte celular, induzir a regeneração e estimular a sobrevivência neuronal. Uma vez que o BDNF cruza a barreira sanguínea cerebral em ambas as direções, uma parte do BDNF sanguíneo poderia originar-se de células do sistema nervoso.

Ainda, pode-se sugerir que o BDNF periférico circulante, isto é, que está no sangue, é transportado para o sistema nervoso central e também contribui para a neuroplasticidade.

Nesse sentido, na última década, estudos têm investigado se um aumento prolongado da síntese de BDNF pode ser obtido após a atividade física regular ou programas de treinamento físico. Pesquisas nesta área têm demonstrado que o exercício físico aumenta os níveis circulantes de BDNF em humanos saudáveis.

Um estudo publicado recentemente por um grupo de pesquisadores brasileiros da Universidade Federal de São Paulo mostrou que esse fator neurotrófico estava aumentado em atletas de alto nível em comparação com atletas de menor desempenho e indivíduos sedentários (1). Correia e colaboradores (2011) investigaram se as atividades de velocidade como a corrida de 100 metros rasos poderia alterar a concentração plasmática de BDNF. Foi analisado as alterações na concentração basal plasmática (em repouso) de BDNF em atletas de velocidade (sprint) com diferentes níveis de performance. Corredores brasileiros de prova de 100 metros rasos que participaram de competições de âmbito internacional (Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais), nacional (campeonatos estaduais e nacionais) e sedentários foram recrutados para o estudo.

A concentração plasmática basal de BDNF estava significativamente elevada em corredores internacionais e nacionais quando comparados com indivíduos sedentários. Corredores de âmbito internacional apresentaram maior aumento da concentração plasmática de BDNF que os corredores com classificação nacional. Os resultados do nosso estudo sugere que níveis circulantes de BDNF pode ser dependente do nível do esforço físico e do rendimento esportivo.

Este estudo inédito sugere que o aumento da concentração de BDNF induzido pelo exercício/treinamento é acompanhado por respostas adaptativas positivas e podem fornecer informações adicionais para caracterizar o status (nível) de treinamento ou diferentes níveis de desempenho dos atletas, assim como ser viável para o tratamento de doenças neurodegenerativas, como por exemplo, Parkinson, Alzheimer.
 

BDNF exerce vários efeitos no sistema nervoso central, como crescimento, diferenciação e reparo dos próprios neurônios

1- Increased basal plasma brain-derived neurotrophic factor levels in sprint runners. Correia PR, Scorza FA, Gomes da Silva S, Pansani A, Toscano-Silva M, de Almeida AC, Arida RM. Neurosci Bull. 2011 Oct;27(5):325-9.




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Ricardo Arida

Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com



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