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Não começou bem o dia? Dá pra mudar

Patricia Gebrim 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Pense nesse girassol como o seu Eu Superior

por Patricia Gebrim

Outro dia eu vi um girassol amarelo. Eu sei que é repetitivo dizer que o girassol era amarelo, pelo que eu saiba, não existem girassóis de outra cor. Mas, você vai entender, aquele dia estava tão cinzento, mas tão cinzento que eu precisava ressaltar a cor.


Ilustração: Patricia Gebrim

Todos nós temos dias assim; cinzas, úmidos, tristes. Dias em que a gente se sente uma verdadeira 'porcaria'. Nesses dias, como se existisse um encanto às avessas, tudo costuma dar errado. Outro dia tive um dia desses. Acordei muito cedo, porque tinha que estar no trabalho às 7h00 da manhã. Meio atrapalhada, pisei no rabo do gato, que fincou as unhas na minha perna, rasgou minha meia e me fez atrasar um pouco além da conta. No caminho para o trabalho encontrei alguém que resolveu me xingar porque eu estava apressada - não sem razão, confesso. No prédio, o elevador quebrou e eu tive que subir a pé oito andares, só para constatar um recado na secretária eletrônica desmarcando a consulta das 7:00.

Bem, acho que você já entendeu o tipo de dia a que me refiro. Vou poupar você do resto do dia e continuar escrevendo este artigo, ok?

Foi num dia desses que eu vi o girassol. Eu estava em um daqueles enormes ônibus que fazem a rota Congonhas/Cumbica aqui em São Paulo. Ia viajar, mas estava me sentindo estranhamente triste. Olhava pela janela e achava tudo cinza. As pessoas eram cinzas, os prédios eram cinzas, a grama era cinza, meus pensamentos também. Abraçada a meu Eu Inferior - clique aqui e leia - ia pensando em tudo o que estava errado no planeta, e de novo vou poupar você de meus horríveis pensamentos - sei que sua imaginação é capaz de me acompanhar!

Foi nesse momento que, pela janela do ônibus, vi esse lugar, acho que era um ferro velho, cheio de coisas largadas aqui e ali, pneus velhos, pedaços de móveis... enfim, um lugar feio e triste, que combinava perfeitamente com meu estado de espírito. E bem no meio disso tudo, sobre um monte de terra, o girassol. Lindo, amarelo, ereto, aberto na direção do sol. Eu nunca vira uma flor tão bela!

Tente imaginar o que estou contando, tente enxergar a coragem daquela flor, que insistiu em ser quem era, a despeito do que existia ao seu redor. Será que ela se sentia solitária naquele ferro velho? Ou será que aprendeu a conversar com latas, mangueiras furadas e pedaços gastos de madeira? Será que sabia que existiam lugares maravilhosos, vastos campos de girassóis onde ela seria apenas uma a mais? Será que sabia o quanto era especial, naquele ferro velho?

Pense nesse girassol como o seu Eu Superior - clique aqui e leia, a sua essência, a sua parte mais bela, a sua alegria, o seu brilho, a sua luz. Pense nesse girassol como o seu sorriso mais aberto. Pense nesse girassol como a sua coragem de viver em um lugar tão cheio de coisas gastas, ásperas e cinzentas.

Quantas vezes nos deixamos envolver pelo cinza e deixamos que a nossa luz se apague?

O ônibus continuava seu caminho monótono e barulhento. O dia continuava cinza. Mas estranhamente um calor começou a me envolver, e eu percebi que era o amarelo do girassol esquentando meus pés, meu estômago, me abraçando, me acolhendo. E o amarelo, como se fosse uma varinha de condão, acordou dentro de mim novos pensamentos. E eu segui pensando que precisamos aprender a continuar sendo quem somos, mesmo em dias cinzentos. Precisamos dividir com o mundo o nosso brilho. Talvez muitas pessoas passem por nós e nem sequer nos percebam. Talvez passemos uma vida inteira sem ser vistos.

Mas um dia, um dia qualquer, alguém vai enxergar você. Vai olhar na sua direção e ver a sua luz. E ao ver a sua luz vai se lembrar que é feito de luz também. Nesse exato momento um girassol a mais surgirá.

Precisamos parar de olhar para o que está errado na nossa vida, nas pessoas, no mundo.

De que adianta isso?

Vamos plantar girassóis!




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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