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Como acabar com brigas constantes no casamento?

Anette Lewin 01/01/2016 PSICOLOGIA
Ficar sem brigar dentro do casamento pode torná-lo chato...

por Anette Lewin

"Sou casado há 14 anos e estou passando por uma fase muito difícil com minha esposa. São brigas constantes e gostaria de pedir ajuda para tentar resolver esse problema sem uma separação. Sem mais, desde já agradeço."

Resposta: O fato de você estar disposto a batalhar pelo casamento já é um bom sinal. O fato de não procurar culpados pela situação tambem ajuda bastante. O caminho mais correto para acabar com as brigas é entender por que elas ocorrem. Casais brigam pelos mais diversos motivos, desde os mais banais até os mais complexos.

Evidentemente a causa mais comum de brigas entre homens e mulheres é geralmente... diferenças entre homens e mulheres!!

Mulheres e homens percebem de forma diferente, desejam coisas diferentes, valorizam objetos e atitudes diferentes e, muitas vezes brigam sem parar por não conseguirem perceber essas diferenças e respeitá-las. É praticamente inútil um homem tentar convencer uma mulher que jogar a toalha molhada em cima da cama é normal; da mesma forma uma mulher não vai conseguir convencer um homem que aquele "descascador elétrico de maçãs" só vai dar trabalho para limpar e que, para ela é melhor usar a velha e tradicional faquinha. Brigar por essas coisas é perda de tempo. Melhor tentar relevar entendendo que, quando se opta por casar, opta-se tambem por abrir mão de uma soberania nas decisões e entende-se que, frequentemente, seu desejo será "poluído" pela vontade do outro.

Casais costumam brigar tambem por motivos mais complexos. A briga, por exemplo, pode ser o atalho para a reconciliação. Muitos casais necessitam reafirmar sua relação de tempos em tempos e não conseguem encontrar outra forma de fazer isso que não seja "ficando de bem". E para " ficar de bem" é necessário ter antes " ficado de mal"...

Outros brigam para a reconquista da individualidade perdida no casamento. A lógica é a seguinte: "Preciso ficar só; minha parceira(o) não deixa; se eu estiver brigada(o) não preciso conversar com ela (ele)..."

Outros ainda acostumaram-se de tal forma a viver brigando que a briga passa a funcionar como um sinal de que tudo vai bem. Por mais paradoxal que isso possa parecer.

Assim, antes de pensar em parar de brigar, entenda por que ou pelo que você briga. Se entender que a briga tem uma função, tente perceber se essa função pode ser suprida de outra forma. Invente novas maneiras de olhar para os velhos problemas, novas palavras para substituir as que, por si só , detonam comportamentos explosivos em sua parceira, novos silêncios para preencher antigas sensações de mal-estar. E avalie se as brigas diminuem e, principalmente se você consegue e gosta de viver sem elas. Sim, porque depois de todo esse trabalho, você pode chegar à conclusão que viver sem brigar é muito chato! Mas aí é só retomar os velhos comportamentos e terá bastante facilidade em encontrar o caminho de volta.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data.

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