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Gastrite: um superguia de dicas para lidar com ela

Jocelem Salgado 01/11/2017 SAÚDE E BEM-ESTAR
Gastrite: um superguia de dicas para lidar com ela
Fonte: Google Imagens
Saiba que alimentos evitar e comer e veja 13 dicas para tratar bem seu estômago

por Jocelem Salgado   

A crença de que os males da alma e os desconfortos do organismo se manifestavam nas queimações do estômago prevaleceu durante séculos. A novidade agora é que as dores de estômago também são provocadas por uma bactéria, a H. pylori. A descoberta beneficiou milhões de pessoas, que antes eram operadas de úlceras. Mas não alterou um conceito fundamental: tudo o que se passa no estômago tem a ver com o que comemos e sentimos. O estômago continua sendo o termômetro mais preciso e delicado do nosso corpo e da nossa alma.

A gastrite, eis um mal que combina numa salada só o que sentimos e o que comemos. É como um "suco do mal", resultado de uma poção em que colocamos no liquidificador todas as tensões e tentações do dia. Bate-se o mau humor, o ressentimento, o baixo astral e boa parte dos pecados capitais, aqui encabeçados pela gula em que gorduras e frituras são os itens mais devorados. Como digestivos, os refrigerantes gasosos, as bebidas alcoólicas e a fumaça dos cigarros.

O sintoma mais comum é o estômago incomodando, queimando, ardendo. Tudo começa com uma dor súbita na parte superior da barriga. Você não sabe ao certo se foi o sanduíche que comeu, apressado, se foi o excesso de pimenta, se é a pilha de contas a pagar ou a presença do chefe que você não tolera.

Esse estado de desconforto pode durar alguns dias, dores, queimações, gosto ruim na boca. Surgem aftas e você começa a desconfiar que pode estar sobrecarregado física e mentalmente. E hora de cuidar da saúde. Quem está dizendo tudo isso é o seu estômago, e ele costuma acertar no que esta dizendo.

O que é gastrite, afinal?

Nosso estômago tem uma camada de proteção, chamada mucosa. Ela tem como principal função proteger as paredes do estômago da acidez do suco gástrico.

O suco gástrico é bastante ácido, sendo produzido em razão de estímulos físicos, como a mastigação, e químicos, como a sensação de fome. Nervosismo e tensão constantes também forçam a liberação ininterrupta de ácido no estômago.

Sem alimento para o ácido digerir, essa liberação pode provocar uma corrosão das paredes da mucosa, o que causa dor e desconforto. Isso pode acontecer, por exemplo, quando mastigamos chicletes. O organismo interpreta aquela mastigação mecânica como algo que está sendo digerido, por isso libera o ácido clorídrico, que por sua vez vai colocar em ação a enzima chamada pepsina, encarregada justamente de quebrar a proteína dos alimentos. Como esse alimento não chega esse ácido vai "corroer" as paredes do estômago.

A gastrite, portanto, é uma inflamação da mucosa gástrica. E meio caminho andado para a úlcera. Na gastrite, a destruição da mucosa não vai além da sua camada muscular e, quando tratada a tempo, a lesão normalmente cicatriza completamente.

Entretanto, se a inflamação persistir, pode acabar proporcionando o aparecimento de úlceras, que levam a eventuais sangramentos e podem deteriorar a saúde do paciente.

Os sintomas mais comuns da gastrite são:

• sensação de queimação na região do estômago, acompanhada ou não de náuseas;
• dor aguda; dispepsia, que é a sensação de peso no estômago após as refeições;
• halitose: mau hálito, presente em alguns casos;
• hematemese: vômitos sanguinolentos ou fezes escuras podem aparecer nos casos mais graves.

O histórico do paciente é sempre muito importante para o médico. Entretanto, a endoscopia e exames microscópicos são necessários para a confirmação final do diagnostico de gastrite. Atualmente a biopsia gástrica é realizada rotineiramente na grande maioria dos serviços de endoscopia para pesquisar a presença da Helicobacter pylori.

Gastrite mais ou menos erosiva

A gastrite pode ser dividida em erosiva e não erosiva. Dentro de cada um desses tipos de inflamação, ela pode ser aguda ou crônica.

O termo "erosiva" significa que pode causar ulceração rasa (semelhante a uma afta), que não ultrapassa a camada muscular da mucosa, mas que provoca danos e dores generalizados. Geralmente, esse tipo de gastrite ocorre em pacientes em estado mais grave. A gastrite aguda é repentina e, por vezes, violenta no inicio. As crises muito frequentemente ocorrem após a ingestão de determinados alimentos aos quais o individuo é sensível. Ou se seguem à prática de comer apressadamente, ou de comer quando se está fatigado ou emocionalmente descontrolado.

Quais as causas da gastrite?

O desconforto da gastrite pode resultar também do consumo exagerado de álcool, fumo e alimentos muito condimentados. Ou da contaminação pela ingestão de um agente infeccioso conhecido como o Helicobacter pylori. A descoberta da presença e do papel do H. pylori revolucionou o tratamento dos males do estômago, como veremos mais abaixo.

A gastrite crônica é mais comum na maioria das pessoas. Sua causa é pouco conhecida e com frequência ela precede o desenvolvimento de lesões gástricas orgânicas como a úlcera ou o câncer. Estudos mostram que pode ser causada por infecção pela Helico-bacter pylori, que leva a uma resposta inflamatória e enfraquecimento da defesa da mucosa. Outros relacionam a gastrite crônica indiretamente a doenças como tuberculose, insuficiência cardíaca e nefrite.

Outro Inimigo, a "Helicobacter Pylori"

A H. pylori é uma bactéria hoje considerada a grande descoberta e o grande alivio da gastroenterologia contemporânea. Foi achada há cerca de 15 anos por dois cientistas australianos, e revolucionou o entendimento das úlceras gástricas (no estômago) e duodenais (localizadas na primeira porção do intestino delgado, o duodeno).
Até então, todas as dores de estômago, gastrites e úlceras eram atribuídas, em maior parte, aos estados de tensão do paciente. Sofrimentos mentais de qualquer origem, problemas familiares, angústias amorosas, todos se manifestavam em dores e doenças no estômago.

A relação do estômago com os sofrimentos psicossomáticos — aqueles que se originam na mente — não se modificou. O que se alterou é que uma bactéria passou a ser agregada a esse gatilho da enfermidade. Descobriu-se que H. pylori é uma das principais responsáveis pela gastrite e pela maioria dos problemas estomacais. O terreno em que vão brotar as enfermidades do estômago é adubado por essa bactéria, que se prolifera quando o organismo está tenso e desequilibrado.

A genética Influencia?

A infecção pela H. pylori é universal, mas predomina nos países em desenvolvimento, onde metade da população é infectada até os l0 anos de idade.

As pessoas com determinada proteína capaz de abrigar a bactéria seriam diferentes, geneticamente das incapazes. A doença apareceria nas pessoas com essa pré-disposição hereditária.

A bactéria não tem reservatórios na natureza e, portanto, a transmissão se dá entre as pessoas, através do contato direto: talheres, copos, beijo etc — pois ela se fixa na placa gengival ou contaminação de água. A taxa de infecção tem grande correlação direta com baixos índices socioeconômicos.

Gastrite tem cura?

Sim, a maioria das gastrites tem cura. O acompanhamento de um gastroenterologista é fundamental e a avaliação psicológica é igualmente importante. Muitas vezes a gastrite esta mascarando um quadro depressivo. A pessoa deve submeter-se a dieta rigorosa e uso de medicamentos, e se não houver avaliação psicológica adequada, a recaída pode ser ainda pior que o adoecimento.

A seguir, sugerimos uma orientação nutricional mostrando quais alimentos devem ser evitados e os que são permitidos durante as crises. Mas lembre-se: esta orientação não substitui a necessidade de acompanhamento médico.

Alimentos que devem ser evitados:

• alimentos gordurosos e frituras em geral;
• frutas ácidas: laranja, limão, abacaxi, morango, acerola, kiwi;
• temperos: vinagre, pimenta, molho inglês, massa de tomate, catchup, mostarda, picles;
• coco, nozes, amêndoas, castanha-de-caju e castanha-do-Pará, amendoim e afins;
• embutidos em geral: linguiça, salsicha, salames;
• alimentos enlatados e em conserva;
• feijão e outras leguminosas;
• café, chocolate, chá preto e mate;
• bebidas alcoólicas e gasosas.

Alimentos permitidos

• leite, queijo fresco branco, ricota;
• carnes magras;
• ovos cozidos, pochés (não fritos);
• verduras e legumes cozidos;
• frutas (exceto as mencionadas no item anterior);
• pães brancos, bolachas Maria, de maisena e de água e sal;
• arroz, macarrão;
• batata, mandioca e mandioquinha cozidos.

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Dicas para tratar bem seu estômago

Veja agora algumas sugestões importantes que ajudarão você prevenir ou controlar problemas no seu estomago:

1. Nunca fique sem se alimentar por mais de 4 horas. Obedeça aos horários certos para o desjejum, almoço, lanche e jantar.

2. Procure alimentar-se devagar, em ambiente tranquilo, mastigando bem os alimentos.

3. Procure não ingerir alimentos pesados antes de dormir e evite comer no meio da noite.

4. Dietas ricas em fibras, como frutas, hortaliças e cereais integrais previnem o câncer gástrico, ajudam na normalização do funcionamento do intestino e são benéficas mesmo no tratamento de úlceras e gastrites.

5. O fumo dificulta a cicatrização de uma úlcera. Deixar o hábito é o ideal, mas reduzir o número de cigarros diários ajuda. Isso deve ser feito com acompanhamento médico, pois parar de fumar é altamente ansiógeno, e a adrenalina corrói ainda mais as paredes do estômago.

6. Evite tomar aspirinas, antigripais e comprimidos para dor em geral, pois podem provocar irritação da mucosa do estômago. Em geral, são ácidos e prejudicam a regeneração da mucosa. Cada organismo reage de determinada maneira. Observe como age o seu. E obedeça a suas instruções.

7. Evite refeições pesadas e gordurosas, como feijoada, dobradinha, churrasco, e frituras em geral, como ovos e batatas fritas, pastéis, bife a milanesa, salgadinhos etc.

8. Alimentos muito condimentados como picles, alguns legumes como pimentão e berinjela, porque são de difícil digestão. Se você perceber que seu estômago não “aceita" esses alimentos, evite-os.

9. Os refrigerantes são bebidas ácidas e gasosas que, além de irritarem o estômago, causam desconforto devido à expansão dos gases. Prefira tomar água sem gás e de preferência a sucos naturais.

10. Bebidas alcoólicas, quando tomadas de estômago vazio, são irritantes da mucosa do estômago e causam desconforto desnecessário. Não beba em excesso ou de estômago vazio.

11. Procure fazer suas refeições com tempo e sossego em local apropriado. Comer em pé, apressado, só prejudica a digestão.

12. Evite beber líquidos durante as refeições para não atrapalhar o processo digestivo.

13. Dê importância para o café da manhã, pois o estômago já ficou cerca de 8 horas vazio. Mesmo que você não tenha o hábito de se alimentar pela manhã, reserve um tempo para isso e tente descobrir prazer numa vitamina ou leite com aveia enquanto folheia o jornal.

Se o organismo desenvolveu uma gastrite, está sinalizando que seus hábitos não estão saudáveis e cabe uma analise da tensão emocional que você está vivenciando no momento. Não se deve desprezar nem uma coisa, nem outra. Cuide do orgânico e do mental com a mesma seriedade, é a única associação que pode conduzir a boa qualidade de vida.

Algumas vezes, as gastrites são momentos importantes para mudanças significativas na vida, incluindo a reeducação alimentar. Seu estômago sabe o que faz e por que está fazendo. Ouça o que ele tem a dizer.




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    gastrite, o que, comer, evitar

Jocelem Salgado

Profa. Titular de Vida Saudável da ESALQ/USP/Campus Piracicaba. Autora dos livros: "Previna Doenças. Faça do Alimento o seu Medicamento" e "Pharmácia de Alimentos. Recomendações para Prevenir e Controlar Doenças", editora Madras



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