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Epicondilite lateral: dor de cotovelo não está só no amor

Juliana Prestes Mancuso 31/10/2017 SAÚDE E BEM-ESTAR
Epicondilite lateral: dor de cotovelo não está só no amor
Fonte: Google Imagens
Epicondilite: tipo de tendinite com dor no ossinho do cotovelo que acomete tenistas, músicos, pintores de parede...

por Ângelo Medina  
 
Toco baixo há 32 anos e isso equivale a cerca de mais de 11 mil horas de dedilhados (digitações) percorrendo o braço do instrumento.

Um dia, imediatamente após um ensaio quente, percebi que meu braço esquerdo estava dolorido. A princípio, achei que fosse uma dor muscular qualquer, talvez por causa de uma topada.

Mas os dias passavam e o fenômeno sempre se repetia: logo após tocar, o braço ficava dolorido. Constatei então que realmente havia um problema.  

Fui ao reumatologista que me pediu exames (radiografia e ultrassonografia) para diagnosticar o que estava acontecendo.  

Por uma grande coincidência, na clínica onde fui fazer os exames, tive um feliz encontro com o Dudu Lima, um dos melhores baixistas do Brasil. Ele toca com Milton Nascimento, Stanley Jordan, João Bosco e outros grandes nomes da música brasileira.        

Dudu se dedica aos estudos do baixo em uma jornada hercúlea, cerca de 9 horas por dia. Antes mesmo que eu fizesse os exames, ele me antecipou o diagnóstico certeiramente: você está com epicondilite lateral, popularmente conhecida como “o cotovelo de tenista” – a origem do nome é devido a essa dor no ossinho do cotovelo ser muito comum entre praticantes desse esporte. Dudu também teve o problema, tratou e se curou. E me aconselhou:
 
- Ângelo, a gente acha que não é importante, que não faz diferença, mas os exercícios de alongamentos da fisioterapia mudaram a minha vida.
 
Ele me mostrou como se faz dois exercícios básicos para alongar os tendões do braço.

Bem... meus exames de fato diagnosticaram epicondilite lateral esquerda com pinçamento no nervo e já iniciei o tratamento com 20 sessões de fisioterapia e a dor já sumiu após seis sessões de fisioterapia.
 
Resumindo, o esforço repetitivo de dedilhar e movimentar o cotovelo, percorrendo o longo braço do baixo por três décadas, causou essa tendinite, que tem esse nome intrincado: epicondilite lateral.
 
Entenda a epicondilite

por Juliana Prestes Mancuso
 
Como diversos músculos se originam ou inserem próximos ao cotovelo, essa articulação é um local comum de lesões. Uma lesão comum é a epicondilite lateral,  que é uma inflamação que rodeia o epicôndilo lateral do úmero. Seis músculos que controlam o movimento para trás (extensão) da mão e dos dedos originam-se no epicôndilo lateral. Apesar de ser conhecida como “cotovelo de tenista”, a epicondilite lateral não é uma condição limitada a quem pratica esse tipo de esporte. A repetição de movimentos intensos como o golpe revés (backhand) do tênis causam tensão sobre o músculo e tendões anexos podendo produzir dor ao redor do epicôndilo.  

Quaisquer atividades físicas que impliquem em movimentos repetitivos do punho e dedos para cima podem ser fatores de risco para o surgimento da epicondilite lateral, caracterizada como uma inflamação dos músculos e tendões do cotovelo. A incidência na lateral externa do braço – próxima ao cotovelo – é a mais frequente, mas a epicondilite também pode ocorrer na face interna do cotovelo.
 
Condições patológicas comuns do cotovelo:
 
- A luxação da cabeça radial (“cotovelo retraído”) ocorre quando uma força é aplicada no antebraço, a partir de um ponto distante. Como consequência, a cabeça do rádio pode ser puxada para fora do ligamento anular que o mantém no lugar. Normalmente, essas lesões ocorrem em crianças pequenas, muitas vezes meninas (talvez pela incidência maior de lassidão ligamentar em meninas). A descrição clássica da lesão ocorre quando um pai ou outra figura adulta levanta uma criança verticalmente por apenas uma mão. A criança então segura o braço flexionado no cotovelo e pronado no antebraço (palma da mão para cima). A redução da luxação pode ser realizada supinando (palma da mão para baixo) o antebraço com o cotovelo flexionado.
 
- A epicondilite lateral (“cotovelo de tenista”) é a inflamação dos tendões que se inserem na origem extensora comum no epicôndilo lateral do úmero. Movimentos de extensão repetitivos no pulso causam uma síndrome de uso excessivo dos extensores de pulso e dor na inserção acima mencionada. Geralmente, o dano ao extensor “carpi radialis brevis” é o principal culpado, com o uso excessivo também causando fraqueza. O tratamento visa diminuir a inflamação e fortalecer os extensores do punho.
 
- Epicondilite mediana (“cotovelo de golfista”) é uma condição inflamatória dos tendões, que se inserem na origem do flexor comum no epicôndilo mediano do úmero. Movimentos de flexão repetitivos no pulso causam uma síndrome de uso excessivo dos flexores do pulso e dor na inserção acima apenas superior ao cotovelo. A condição é mais comum entre os homens idade 20 a 49 anos, mas pode ser experimentada por qualquer pessoa. O tratamento visa diminuir a inflamação e fortalecer os extensores do punho.
 
 Ao utilizarmos, repetidamente, os músculos do antebraço que se ligam ao osso na parte externa do cotovelo, podem surgir algumas fissuras no tendão e, com o tempo, elas podem dar origem a irritações e dores na região onde o tendão se une ao osso.

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Não, apenas, atividades ligadas aos esportes podem contribuir para o surgimento da epicondilite lateral, algumas profissões, como pintores, cozinheiros, açougueiros e aquelas que necessitam do uso de computador (teclado e mouse) por longas horas, por exemplo, são também fatores de risco.

Sintomas surgem de forma gradual e os principais são:
 
– Dor intensa na face lateral do cotovelo que pode irradiar para o antebraço – é agravada com a realização de esforços;

– Dificuldades para segurar objetos, como uma xícara de café cheia;

– Queimação na lateral do cotovelo;

– Redução de força para extensão do punho e dos dedos.
 
É importante adotar posturas adequadas para a realização de quaisquer atividades, seja em casa ou no trabalho.

As pausas associadas a alongamentos durante a realização de tarefas também são válidas.

Uma vez diagnosticada, deve ser afastada qualquer atividade que piore os sintomas.

O segundo passo é incluir o tratamento com a Fisioterapia Traumato-Ortopédica, que oferece exercícios específicos de alongamento, estimulação elétrica dos músculos, dentre outros procedimentos que têm como finalidade diminuir a dor, melhorar a inflamação e evitar maiores lesões.

Há bons resultados de tratamento utilizando laser terapêutico como tratamento coadjuvante na fisioterapia, além da estimulação elétrica na redução da inflamação no local.




TAGS :

    epicondilite, lateral. cotovelo, tenista, dor, baixista

Juliana Prestes Mancuso

É formada pela Universidade Anhembi Morumbi, especializada em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica pelo Instituto Cohen de Ortopedia e Medicina Esportiva, Fisiologia do Exercício pela Universidade Veiga de Almeida, Fisioterapia do Sistema Musculoesquelética pela Universidade São Marcos e em acupuntura e medicina chinesa pelo Centro Científico Cultural Brasileiro de Fisioterapia. É responsável pelo site e grupo de discussão Fisioterapeutas Plugadas.



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