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O vazio do luto

Samanta Obadia 24/10/2017 AUTOCONHECIMENTO
O vazio do luto
Fonte: imagem Pixabay
O que podemos ganhar com ele?

por Samanta Obadia

A experiência do vazio nos completa ainda mais quando percebemos o que nos preenche. E é este movimento do impermanente que reforça o quanto estamos plugados em nossos sentidos, o quanto precisamos deles para perceber a vida. Perdoem-me os idealistas e racionalistas, mas a percepção empírica é fundamental.

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A perda de entes queridos nos remete a um luto temporal, antes de tudo. O tempo de um encontro que não volta mais em conflito com o tempo burocrático urgente que congela nossos sentimentos e percepções do momento vivido. Mas ainda nos resta o tempo das memórias grudadas nas imagens e letras arquivadas que se ocupam de ativar os nossos sentidos.

Assim o é hoje, em mim, quando tento administrar a perda da minha avó materna tão amada, com sua presença marcante em minha vida.

Revisitando a sua casa, sinto o seu cheiro e descubro o quanto ele me conforta.  Tocar em suas coisas, estar em seu lar é uma maneira simples de recuperar sua presença em mim.

Transcendemos, idealizamos e racionalizamos demais as nossas dores e ausências. Muitas vezes para evitar sentir o presente, que se apresenta sem explicação. O fluxo dos sentimentos e das sensações nem sempre têm sentido ou significado. Contudo, a percepção e a observação silenciosa do que se passa em nós fala muito mais alto ao que precisamos ouvir.

O que cada um de nós ganha com nossas perdas é intransferível, mas percebi que com meus sentidos ganhei mais do que com minha razão. Talvez porque a presença do amor não se traduz. Simplesmente é.

 




TAGS :

    como, superar, luto, ente, querido

Samanta Obadia

Samanta Obadia é Filósofa e Psicanalista. Ela busca em suas palestras aproximar o seu público do conhecimento, com bom humor e inteligência na direção da felicidade.



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