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Dor nas articulações? Entenda as possíveis causas

Juliana Prestes Mancuso 17/10/2017 SAÚDE E BEM-ESTAR
Dor nas articulações? Entenda as possíveis causas
Fonte: imagem Pixabay
Esse distúrbio pode afetar qualquer articulação e tem seu nome definido de acordo com a região atingida

por Juliana Mancuso
 
Osteocondrite também conhecida como osteocondrose também pode ser chamada de osteocondrite dissecante é uma condição a qual uma quantidade variável de osso e sua cartilagem adjacente perde seu suprimento de sangue e sua causa é muitas vezes desconhecida, é uma patologia de origem pouco conhecida que acomete a cartilagem de crescimento (que auxilia na formação dos ossos do corpo humano) e é mais frequente durante a infância e a adolescência, pois são as fases de construção e consolidação do sistema esquelético.

Os sintomas incluem dor nas articulações, rigidez, e até mesmo o bloqueio da articulação. Esse distúrbio pode afetar qualquer articulação e tem seu nome definido de acordo com a região atingida. O tipo de osteocondrite mais comum é a Doença de Osgood-Schlatter, que afeta o joelho e pode levar ao desenvolvimento de uma protuberância óssea abaixo da patela.

No começo do processo de formação dos ossos, o esqueleto é constituído, em uma grande parte, por cartilagem (um tipo de tecido resistente e flexível, responsável por amenizar o atrito ósseo nas articulações) e tal tecido, ao longo dos anos, é substituído gradualmente pela massa dura do osso. Tal processo é realizado entre a epífise (localizada na extremidade do osso, também é ossificada após consolidação do esqueleto) e a “cartilagem de crescimento”, que auxiliam no aumento do diâmetro e do comprimento dos ossos.

Quando a cartilagem de crescimento é lesionada, seja por tração exagerada, traumas ou outros fatores desconhecidos, há uma falha no seu funcionamento e o crescimento ósseo fica prejudicado, o que pode causar o desenvolvimento de uma proeminência na região acometida. Em casos extremos, pode haver o desprendimento de partes da cartilagem e a migração para o lado de dentro da articulação (corpos livres), levando à ocorrência de dores e limitação de movimento.

A osteocondrite, quando não tratada corretamente, pode causar alterações precoces na estrutura das articulações e contribuir para a consolidação de um processo de desgaste degenerativo das cartilagens. O que causa a osteocondrite é controverso, bem como os motivos reais que podem levar ao desenvolvimento da osteonecrose.

Acredita-se que uma alteração circulatória faz com que a cartilagem perca o suprimento sanguíneo necessário para sua manutenção. Junto a isso, a degeneração da epífise e dos núcleos de ossificação contribui para a lesão da cartilagem de crescimento e consequente desenvolvimento da osteocondrite.

Os desalinhamentos dos membros inferiores ajudam no aumento da sobrecarga e na repetição de movimentos prejudiciais, principalmente nos pés, tornozelos e joelhos, e pode estar relacionada com a osteocondrite. Traumas, lesões por estresse ou impactos repetitivos na articulação também podem provocar alterações na circulação sanguínea na cartilagem de crescimento. Por essa razão, essa patologia é mais frequente em crianças e adolescentes praticantes ativos de atividades físicas.
 
A osteocondrite pode afetar vários ossos do corpo e seu nome varia de acordo com a região atingida.

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Principais tipos de osteocondrite:
 
- Doença de Freiberg: É a osteocondrite da cabeça do segundo metatarso (osso longo do pé, anterior aos dedos). Pode causar artrose e levar a degeneração da articulação com a falange, causando dificuldade e limitação de movimento.

- Doença de Köhler: Afeta o osso navicular e causa dor na parte medial do pé, podendo causar alterações no arco plantar.

- Doença de Sever: Atinge o calcanhar e está diretamente relacionado ao aumento de exercícios físicos. Pode causar fragmentação do calcâneo, resultando no alargamento do osso e surgimento de uma protuberância.

- Doença de Osgood-Schlatter: É o tipo mais comum de osteocondrite e acomete a tuberosidade da tíbia (localizada próxima ao joelho, abaixo da patela). Sofre alta influência dos desalinhamentos do joelho.

- Doença de Renander: É rara e atinge os ossos sesamóides (dois pequenos ossos de formato arredondado que auxiliam a impulsão do dedão). Está ligada ao uso prolongado de sapatos inadequados.

- Doença de Iselin: Também é um tipo raro de osteocondrite que afeta a base do quinto metatarso. Causa dor na lateral do pé durante a pisada.

- Osteocondrite Dissecante: Essa variação da doença causa o desprendimento de parte da cartilagem seguida de sua migração para o interior da articulação.

- Doença de Kienböck: É a osteocondrite do osso caracterizada por uma necrose avascular que afeta o osso semilunar do carpo, em consequência da falta de suprimento sanguíneo para o mesmo. (veja aqui)

- Doença de Scheuermann: É uma doença que afeta a coluna vertebral, os indivíduos tem entre 10 e 14 anos e são predominantemente masculinos, altos e magros. Afeta a ossificação vertebral compostas de cartilagem causando a necrose, portanto, as vértebras não terminam o processo de crescimento.

- Doença de Sinding – Larsen – Johansson: É uma causa pouco frequente de desconforto ou mesmo de dor anterior do joelho. Trata-se de uma osteocondrite de tração, localizada ao polo distal da patela, que surge em crianças geralmente entre os 10 e os 15 anos, como resultado da tensão excessiva e repetida do tendão patelar sobre a patela. É mais frequente em rapazes na pré-adolescência sendo as queixas relacionadas com a atividade física. Pode ocorrer conjuntamente com a Osgood-Schlatter. É sobretudo mais frequente em atividades desportivas de maior solicitação sobre o aparelho extensor como futebol.
 
Os principais sinais de osteocondrite são:

Dor, que é intensificada com a prática de esportes;

- Edema (acumulo de líquido que provoca o inchaço da região acometida);

- Bloqueio articular (como por exemplo, pessoas com a doença de Osgood-Schlatter podem sofrer episódios onde o joelho “trava”);

- Vermelhidão;

- Possível presença de uma proeminência óssea.

O diagnóstico da osteocondrite deve ser feito por profissionais especializados com base na análise de exames de imagem, que mostrarão alterações na estrutura física do osso e possível proeminência.

O tratamento varia de acordo com o estágio de fragmentação do osso, a dimensão da fratura e o grau de dor do paciente, e algumas medidas podem ser indicadas pelo médico, como fisioterapia, uso de medicamentos para dor e edema, imobilização se necessário, uso de órteses (como muleta, imobilizador de punho ou colete de acordo com a região acometida), diminuição da prática de atividades físicas e/ou de alto impacto. Cirurgias somente serão indicadas em casos onde o tratamento conservador não surtir efeitos.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um médico ou fisioterapeuta e não se caracteriza como sendo um atendimento.




TAGS :

    osteocondrite, dor, artculação, joelho, freiberg, sever, renander, iselin, dissecante

Juliana Prestes Mancuso

É formada pela Universidade Anhembi Morumbi, especializada em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica pelo Instituto Cohen de Ortopedia e Medicina Esportiva, Fisiologia do Exercício pela Universidade Veiga de Almeida, Fisioterapia do Sistema Musculoesquelética pela Universidade São Marcos e em acupuntura e medicina chinesa pelo Centro Científico Cultural Brasileiro de Fisioterapia. É responsável pelo site e grupo de discussão Fisioterapeutas Plugadas.



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