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Tenho 23 anos, nunca namorei e tenho medo de amar. O que faço?

Anette Lewin 28/09/2017 PSICOLOGIA
Tenho 23 anos, nunca namorei e tenho medo de amar. O que faço?
Fonte: imagem Pixabay
Evite ficar presa às suas expectativas

por Anette Lewin

Depoimento de uma leitora:  

“Às vezes me sinto um ET. Estou quase com 23 anos e nunca namorei. Já tive alguns paqueras, mas nunca passei para a fase de um relacionamento. O fato de não namorar não me incomodava até pouco tempo, mas, nos últimos meses tenho me sentido um ET. Tenho medo de amar, de me relacionar.

Vou citar um exemplo:

Almoçava diariamente em um shopping que fica próximo ao meu trabalho. Há um tempo percebi que um menino, que também almoça lá, ficava olhando bastante para mim. Teve uma vez que estava sentada na minha mesa e ele passou na minha frente e ficou me encarando até o momento em que passei pela mesa dele. Até aí tudo bem. Achei que eu pudesse estar com algo na minha cara, ou estranha de alguma forma... Na segunda vez, foi quando estava no semáforo e ele estava dentro do carro dele me encarando, ficou um tempão me 'observando'. Achei que não fosse nada dessa vez também. Na terceira, foi quando eu estava fazendo compras em uma loja do shopping. Estava em uma determinada seção, daí ele entrou na loja com uma moça, assim que percebeu minha presença ele falou para ela: "me deixa ir ali" e foi na minha direção com um olhar MUITO FIXO e eu também o olhei fixamente; senti uma explosão de sentimentos dentro de mim que me impedia de desviar o olhar, não sei definir o que senti, mas foi incrível. Quando ele estava perto de mim, fiquei com a sensação de que ele iria falar comigo, foi quando peguei correndo o que eu queria e praticamente saí correndo da loja, ou seja, quebrei aquele momento mágico.

Citei esse exemplo para que você veja que sempre fujo de qualquer tipo de aproximação. O que realmente me deixa incomodada é eu ter fugido, mesmo tento me sentido superatraída por ele, simplesmente fugi! Por que me saboto tanto? Por que não me permito pelo menos tentar? O que posso fazer para enfrentar esse meu medo de me relacionar?”

Resposta: Os exemplos que você cita, são situações onde você teria que tomar a iniciativa para que uma primeira conversa acontecesse. Será que não é um desafio um tanto quanto difícil para quem nunca namorou?

Você já parou para pensar que o rapaz também poderia ter tomado a iniciativa? Mas assim como você, ele ficou só nos sinais, não correu o risco. Você ficou achando que ele ia falar com você, mas ele não falou. Não foi você que fugiu. E como você não sabia nada sobre esse rapaz, seria bastante difícil, e até arriscado, puxar conversa com um ilustre desconhecido. Principalmente na loja, onde, além de tudo, ele estava acompanhado! Assim, não se culpe nem se considere um ET. Evite ficar pensando que essa foi sua última chance e você a desperdiçou. Cada um tem seu tempo de amadurecimento. E você está apenas entrando para o mundo dos relacionamentos amorosos. Onde se aprende tentando.

Comece com desafios mais fáceis do que tomar a iniciativa de conversar com um desconhecido. Que tal conversar, num primeiro momento, com pessoas que se aproximam de você de uma forma mais explícita. Você relata que já teve paqueras, apenas elas não se transformaram em relacionamentos. Pense então no que fez com que a relação não evoluísse.

Você se desencantou?

Eles se desencantaram?

A relação não fluiu?

Enfim, parece que você já conseguiu atrair pessoas. Só não conseguiu continuar a relação.

Pela sua forma de descrever seus sentimentos ao tentar se aproximar do rapaz do shopping, percebe-se que você vive muito intensamente a situação enquanto ela está somente na sua cabeça. Certamente dentro da cabeça da gente tudo flui maravilhosamente bem; podemos imaginar as cenas como queríamos que elas fossem, e nos emocionamos com as fantasias que nós mesmos criamos. Quando a relação se torna real, as coisas mudam. O medo e a ansiedade tiram o conforto que conseguimos na fantasia; a expectativa da aceitação do outro nos deixa um tanto quanto paralisados; as respostas do outro não são as que imaginávamos... Enfim, a passagem de nossos sonhos para uma vivência real, em geral, traz mais frustrações do que vibrações. Pelo menos num primeiro momento. Depois de algum tempo é que a história do relacionamento real começa a existir de fato.Em outras palavras, temos que passar pelo "purgatório" para atingirmos o céu. Ou o inferno.

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Assim, em sua próxima tentativa tente separar fantasia de realidade. Quando conhecer alguém tente ouvir e perceber atentamente a pessoa que está na sua frente. Ela tem movimentos próprios, ideias próprias, enfim, ela é um ser autônomo, dificilmente caberá dentro da fantasia que você construiu. Avalie se essa pessoa provoca em você sensações agradáveis. Explosões de sentimento são mais próprios de uma expectativa do que de um encontro real. Assim, tente contentar-se, num primeiro momento, em simples sensações de bem-estar. Evite ficar presa às suas expectativas, porque dessa forma qualquer pessoa a decepcionará.

E se não der certo?

Tente novamente. Em cada tentativa bem ou malsucedida você estará aprendendo algo sobre relacionamentos. E quando se sentir mais madura, certamente poderá tomar iniciativas e se aproximar de quem lhe interessa. Para ouvir um sim ou um não. Sentindo-se orgulhosa de ser uma pessoa que tenta correr atrás de suas escolhas. E deixando o ET com o qual se identifica voltar para a tela de cinema de onde ele saiu.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um psicólogo e não se caracteriza como sendo um atendimento.

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TAGS :

    nunca, namorei, medo, amar, paquerar

Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data.



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