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Não é preciso muito para ser um excelente pai

Redação Vya Estelar 11/08/2017 ENTREVISTAS
Não é preciso muito para ser um excelente pai
Fonte: imagem Pixabay
As crianças nos ensinam a sorrir mais, nos ensinam a amar mais, nos ensinam a ter calma

por Ângelo Medina

Nesta entrevista ao Vya Estelar, a psicóloga especializada em terapia cognitivo-comportamental Lilian Zolet comenta erros e acertos dos pais em relação à educação dos filhos.  E neste quesito, ela diz de que forma os pais podem aprender com eles. Ela fala sobre o ‘pai ideal’, discorre sobre superproteção, birras, dificuldades emocionais dos pequenos e dá seis dicas preciosas para você ficar mais pertinho do seu filho no dia a dia.    

Segundo a psicóloga, educar exige um empenho contínuo por parte dos pais através da doação de tempo e afeto.

Os pais são os primeiros modelos de referência para os filhos, e é a partir dos exemplos que a criança tem em casa, que ela replica suas atitudes na vida e com as demais pessoas.

Hoje, com cada vez mais mulheres trabalhando fora, há uma redistribuição igualitária dos papéis dos progenitores, principalmente em relação ao comportamento paterno.

Agora, o pai divide as responsabilidades do lar: leva o filho para a escola, dá banho, brinca e ajuda nas tarefas escolares. Mas essa transformação é recente, muitos ainda não sabem qual é o modelo ideal de pai a ser seguido.

Vya Estelar - Existe um modelo ideal de pai?

Lilian Zolet - O pai ideal é aquele que é recíproco. Ou seja, que possui postura de cooperação e compartilha as tomadas de decisões com os familiares. Também é caracterizado pelo pai que coloca limites realistas. Assim, se a criança age de maneira inadequada, ele pontua no momento exato e não deixa para depois. Esse pai também sabe valorizar o esforço do filho quando ele age de maneira adequada ou faz o seu melhor.

Vya Estelar – Pais muito rígidos e distantes podem gerar que tipo de dificuldades emocionais nos filhos?    

Lilian Zolet - As dificuldades emocionais se manifestam quando a criança não consegue expressar suas emoções de maneira adequada, ou seja, ela tem surtos de raiva e tristeza. Em muitos casos, o filho tem medo de contar o que sente, o que pensa, porque acha que o pai não vai sentir orgulho dele ou pensar que ele é fraco.

Vya Estelar – Por que a superproteção torna o filho mandão?

Lilian Zolet - A superproteção atrapalha o desenvolvimento da criança, porque ela acredita que pode ter tudo o que deseja no seu tempo e do seu modo. Tem baixo nível de frustração quanto à não realização de suas vontades. A superproteção ocorre porque os pais não ensinaram pequenos limites necessários para a convivência sadia.

Vya Estelar – Quais as consequências da superproteção no desenvolvimento psíquico dos filhos?    

Lilian Zolet - A criança superprotegida tem mais direitos do que deveres. Isso influencia diretamente nas suas relações em família, na escola e na sociedade. Nestes casos, o infante tende a ter diminuição nas habilidades sociais, a exemplo da empatia e da generosidade – do dar e do compartilhar.

Vya Estelar – A senhora diz que o pai deve ser firme diante das birras e ensinar ao filho o jeito certo de pedir e fazer. Como é esse jeito?

Lilian Zolet - Ensinar um jeito certo de fazer é quando uma criança grita para pedir algo e o pai imediatamente fala. “Acalme-se”; “Não é assim que eu vou te escutar”.  Só depois quando a criança tranquiliza, o pai fala novamente: “Acho que você pode pedir de um jeito melhor?”; “Qual é o melhor jeito de pedir?” “É assim que se perde?”.

Desse modo o pai usa de questionamentos para que a criança mude a sua forma de verbalizar o que ela queria. Agindo assim, a criança percebe a autoridade do pai, de uma maneira saudável e afetiva, e vai corrigindo o seu comportamento.
 
Vya Estelar – De que forma um pai pode promover a autoestima do seu filho?

Lilian Zilet - Observe as habilidades do seu filho – suas habilidades cognitivas. Por exemplo, como ele desenha bem, pinta, realiza brinquedos de encaixe, de memória, atividades de matemática ou redação com qualidade. Veja o que ele faz bem e se esforça para fazer. O que gosta de fazer. Observe isso e reforce de modo sincero. Diga frases a exemplo de: “Tenho orgulho de você pelo seu esforço em desenhar”. “Que lindo que ficou”. Esta é uma maneira da criança entender que ela tem habilidades boas e positivas. E isso contribui para construir a estima da criança.
 
Vya Estelar – Num caminho inverso que tipo de comportamento dos pais pode rebaixar a autoestima dos filhos?
   
Lilian Zilet  - Jamais use palavras que diminuam ou desqualifiquem o desempenho da criança. Isto é, dizer frases como “você é lenta”, “é burra”, “nunca acerta as respostas”, ou quando o filho tira uma nota 7,  comentar que não fez mais que obrigação, ou mesmo comparar o desempenho de uma criança com o do irmão. São posturas péssimas para o desenvolvimento da autoestima da criança. Deve-se evitar ao máximo afirmar que a criança não está sendo capaz. Ela grava e passa acreditar nessas afirmações negativas.
 
Vya Estelar - Como um pai pode se permitir a aprender com um filho?  

Lilian Zolet -  Aprender com o filho é admitir que às vezes o pai também erra ou que fez algo de maneira equivocada. Isso não diminui ou desvaloriza a figura paterna.  Outro ponto é o do pai aprender a ter um olhar observador para com seu filho. Identificar o temperamento da criança, aprender que se o infante é mais tímido, o pai pode incentivá-lo a ser mais extrovertido. Aprender a sempre incentivar habilidades novas na criança.

Nenhuma criança é igual à outra. Isso exige do pai um olhar de maior acuidade, de realmente querer aprender com o filho.

As crianças nos ensinam a sorrir mais, nos ensinam a amar mais, nos ensinam a ter calma, ou de que às vezes devemos parar e ter um tempo para nós. Todas estas condições compõe a aprendizagem.  A educação é dinâmica e num crescendo, além de ser recíproca entre pais e filhos.  

6 dicas para você estar mais pertinho do seu filho

1ª) Participe da rotina do seu filho. Mostre o quanto ele é importante para você. Sempre que possível faça as refeições em família. Converse e fale sobre os seus sentimentos, conte histórias, auxilie nas atividades escolares, ofereça orientações para a criança.

2ª) Colabore nas decisões que envolvam seu filho: escola, médico etc.

3ª) Escute atentamente o seu filho. Observe o que ele sente e o que fala.

4ª) Converse com o seu filho. Sempre mantenha um diálogo aberto e não um interrogatório.

5ª) Brinque. Tenha momentos de diversão com seu filho. O mais importante é a qualidade do tempo dedicado à criança.

6ª) Seja um exemplo positivo para seu filho. Diante da separação conjugal, por exemplo, mantenha-se participativo na rotina do filho. Jamais fale mal do cônjuge ou brigue na frente da criança. Lembre-se que a separação é do vínculo entre o casal e jamais dos papéis de mãe e pai.

Serviço

A psicóloga Lilian Zolet acaba de lançar o livro: ‘Síndrome do Imperador – Entendendo a mente das crianças mandonas e autoritárias' (Editora Epífrafe).

Síndrome do Imperador: o termo é destinado a crianças que têm comportamentos de birra e exercem autoridade no âmbito familiar.




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    pai, excelente, presente, filhos, autoestima

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